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Laudo revela causa da morte de professora atacada por aluno e detalhe impacta

A confirmação veio na manhã de terça-feira, 10 de fevereiro, e trouxe ainda mais peso a um caso que já havia abalado Porto Velho. A Polícia Civil de Rondônia informou que a professora Juliana Silveira, de 41 anos, morreu antes de chegar ao hospital em razão de uma perfuração no coração. Ela foi atingida dentro do Centro Universitário Aparício Carvalho, onde lecionava, chegou a ser socorrida, mas não resistiu.

Segundo a delegada Leisaloma Carvalho, responsável pela investigação, o ferimento cardíaco provocou uma hemorragia interna intensa, levando a um choque hipovolêmico — condição em que o corpo perde a capacidade de manter a circulação adequada de sangue. Os demais ferimentos identificados, de acordo com a perícia, não teriam sido suficientes, isoladamente, para causar a morte.

O episódio ocorreu dentro da instituição de ensino, em um ambiente que, para muitos, simboliza formação, diálogo e construção de futuro. A notícia se espalhou rapidamente pela capital rondoniense e tomou as redes sociais ao longo do fim de semana. Alunos, colegas de profissão e ex-estudantes publicaram mensagens de despedida, destacando o perfil dedicado e firme da docente em sala de aula.

O suspeito, João Cândido Costa Júnior, de 24 anos, foi detido ainda no local por um aluno que também é policial militar. Ele foi preso em flagrante e, posteriormente, teve a prisão convertida em preventiva. Em depoimento, apresentou uma versão que chamou atenção: afirmou que a arma teria sido entregue a ele pela própria professora, no dia anterior, como parte de um presente com doces. Essa narrativa, no entanto, não foi confirmada pelas autoridades.

Na segunda-feira, 9 de fevereiro, a Polícia Civil convocou uma coletiva para esclarecer pontos da investigação. Um dos principais foi a suposta existência de um relacionamento amoroso entre o suspeito e a professora. De acordo com a delegada, não há indícios que sustentem essa versão.

O jovem declarou ter mantido um envolvimento de três meses com Juliana e disse ter se sentido abalado após ela reatar com o ex-companheiro. A apuração, porém, seguiu outro caminho. A análise de conversas extraídas de aparelhos celulares indicou que a docente recusou qualquer tipo de relação, considerando-a incompatível com sua posição profissional. Para os investigadores, a rejeição pode ter sido o fator determinante para o ato.

Esse detalhe muda a compreensão do caso. Não se trata, segundo a polícia, de um romance interrompido, mas de uma aproximação não correspondida. A diferença é importante, inclusive para afastar interpretações equivocadas que circularam nas primeiras horas após o ocorrido.

O Centro Universitário Aparício Carvalho suspendeu as atividades por três dias, decretando luto oficial. As aulas foram retomadas na segunda-feira, 9, em meio a um clima visivelmente diferente. Corredores antes barulhentos ganharam um silêncio incomum. Muitos estudantes relataram dificuldade para voltar à rotina.

Nas redes sociais, surgiram questionamentos sobre os protocolos de segurança da instituição. A direção informou que está revisando procedimentos e reforçando medidas preventivas. Em tempos em que discussões sobre segurança em ambientes educacionais ganham espaço no noticiário nacional, o caso de Porto Velho reacende o debate.

Mais do que estatísticas ou versões conflitantes, o que permanece é a ausência. Juliana deixa familiares, amigos e uma trajetória construída na educação. Para muitos alunos, fica a lembrança das aulas, das orientações e até das cobranças que faziam parte do processo de aprendizado.

A investigação segue em andamento. Enquanto isso, a comunidade acadêmica tenta reorganizar a rotina e encontrar formas de lidar com o impacto emocional. Em situações assim, a reconstrução não acontece de um dia para o outro. Ela exige tempo, apoio e, sobretudo, respeito à memória de quem dedicou a vida ao ensino.

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