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A morte do terceiro bebê por suspeita de contaminação deixa as mães preocupadas

A confirmação da terceira morte de um bebê na França após o consumo de fórmulas infantis retiradas do mercado acendeu um novo alerta internacional sobre a segurança alimentar destinada a lactentes. O anúncio foi feito nesta quarta-feira, dia 11, pelo Ministério da Saúde francês, que informou que os casos seguem sob investigação. Apesar da gravidade da situação, as autoridades reforçaram que, até o momento, não há comprovação científica de que exista uma relação direta entre o consumo dos produtos e os óbitos registrados.

O caso teve início em meados de dezembro, quando fabricantes globais começaram a retirar lotes de leite infantil após a identificação da possível presença da toxina cereulida, produzida pela bactéria Bacillus cereus. A substância pode provocar episódios intensos de vômitos e complicações gastrointestinais, especialmente em bebês, que possuem sistema imunológico mais sensível. A partir das primeiras análises laboratoriais, diversos países passaram a adotar medidas preventivas para evitar riscos adicionais.

A primeira grande empresa a anunciar o recall foi a Nestlé, que retirou dezenas de lotes distribuídos em aproximadamente 60 países. Posteriormente, outras companhias do setor lácteo, incluindo Danone e Lactalis, também ampliaram a retirada de produtos de circulação. A decisão afetou mercados na Europa, América Latina e outras regiões, incluindo Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru e Uruguai.

Na França, além das três mortes registradas, autoridades confirmaram ao menos 14 hospitalizações de bebês que consumiram ou são suspeitos de terem consumido os lotes envolvidos. As investigações buscam esclarecer se os sintomas apresentados pelas crianças possuem ligação direta com a toxina identificada nos produtos. Paralelamente, procedimentos judiciais foram abertos para apurar eventuais responsabilidades e verificar se houve demora na comunicação dos riscos ao público.

O episódio ganhou novos desdobramentos no início de fevereiro, quando autoridades sanitárias europeias decidiram reduzir os limites tolerados da toxina cereulida em fórmulas infantis. A mudança nos parâmetros técnicos levou a uma nova onda de retiradas preventivas, ampliando o alcance do recall inicial. Especialistas destacam que a decisão foi adotada como medida de cautela, considerando a vulnerabilidade do público consumidor.

Organizações de defesa do consumidor, como a ONG Foodwatch, e diversas famílias afetadas iniciaram ações judiciais contra o Estado francês e contra fabricantes envolvidos. As acusações apontam possível demora na retirada dos produtos e falhas na comunicação transparente com a população. As empresas, por sua vez, afirmam estar colaborando com as autoridades e reforçando protocolos internos de controle de qualidade e rastreabilidade.

Até o momento, a França é o único país europeu a registrar mortes associadas ao consumo comprovado dos leites incluídos no recall. Outros países relataram hospitalizações, como o Reino Unido, onde cerca de 30 casos foram acompanhados por autoridades locais, mas sem confirmação de relação direta de causa e efeito. Enquanto as investigações continuam, o caso segue sendo monitorado de perto por agências reguladoras internacionais e mantém pais e responsáveis em estado de atenção redobrada quanto à procedência e segurança das fórmulas infantis.

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