Saúde & Bem-estar

Sinal na orelha pode ser alerta para risco de infarto, como aconteceu com Maderite

Uma pequena marca na orelha pode parecer apenas um detalhe estético, mas há décadas ela chama a atenção da comunidade médica. Conhecida como sinal de Frank, a dobra diagonal no lóbulo da orelha voltou a despertar curiosidade após estudos associarem sua presença a um maior risco de doenças cardiovasculares. O tema gera interesse justamente por unir algo visível no corpo a possíveis alertas sobre a saúde do coração, despertando dúvidas e, muitas vezes, preocupações em quem identifica essa característica ao se olhar no espelho.

O sinal de Frank é caracterizado por uma linha ou dobra que atravessa o lóbulo da orelha em diagonal, geralmente de forma permanente. Ele recebeu esse nome em referência ao médico norte-americano Sanders T. Frank, que descreveu a associação ainda nos anos 1970. Desde então, pesquisadores de diferentes países passaram a investigar se a marca poderia funcionar como um indicativo precoce de alterações nas artérias coronárias, responsáveis por irrigar o coração.

Apesar da curiosidade científica, especialistas reforçam que o sinal não deve ser interpretado como diagnóstico. “O principal risco é interpretar o sinal de forma isolada. Ele é só um indicador. Tem muita gente que tem doença coronariana e não tem esse sinal”, alerta o cardiologista João Vicente da Silveira, do Instituto do Coração (Incor). Segundo ele, a presença da dobra pode levantar um sinal de atenção, mas jamais substitui exames clínicos e avaliação médica detalhada.

Estudos sugerem que a dobra no lóbulo pode estar relacionada a alterações na microcirculação, processo semelhante ao que ocorre nas artérias do coração ao longo do envelhecimento ou com o avanço de fatores de risco. Ainda assim, não há consenso científico absoluto. Pessoas jovens podem apresentar o sinal sem qualquer problema cardíaco, enquanto indivíduos mais velhos e saudáveis também podem não tê-lo. Isso reforça que a marca deve ser vista dentro de um contexto mais amplo.

Ao identificar o sinal de Frank, a principal recomendação é simples: observar a própria saúde de forma global. Isso inclui atenção à pressão arterial, níveis de colesterol, glicemia, histórico familiar e hábitos de vida. A dobra na orelha, sozinha, não causa sintomas nem exige tratamento específico. O que ela pode fazer é servir como um convite para uma avaliação preventiva, especialmente em pessoas que já possuem outros fatores de risco.

A prevenção das doenças cardiovasculares continua sendo baseada em medidas bem estabelecidas. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do estresse, sono adequado e abandono do tabagismo seguem como pilares fundamentais. Consultas periódicas com profissionais de saúde ajudam a identificar alterações silenciosas e permitem intervenções precoces, que fazem grande diferença na qualidade de vida a longo prazo.

Em um cenário de excesso de informações nas redes sociais, é importante evitar conclusões precipitadas. O sinal de Frank não é uma sentença nem um motivo para pânico, mas também não deve ser ignorado. Ele funciona como um lembrete de que o corpo pode dar pistas sutis sobre o que acontece internamente. Ao perceber a dobra, a melhor atitude é buscar orientação médica, esclarecer dúvidas com fontes confiáveis e investir em cuidados preventivos que beneficiam o coração — e o organismo como um todo.

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