Entenda o mistério por trás da morte de Venessa Lara, de 23 anos

A tranquilidade de uma tarde comum em Juatuba virou consternação na manhã de terça-feira, 10 de fevereiro de 2026. Vanessa Lara de Oliveira Silva, jovem de 23 anos, estudante do curso de Psicologia, foi localizada sem vida em uma área verde próxima à BR-262, no bairro Boa Vista. A notícia se espalhou rapidamente pelas redes sociais e grupos de WhatsApp de Pará de Minas, cidade onde ela morava, deixando familiares, amigos e toda a comunidade em estado de profundo abalo.
Vanessa era descrita por quem convivia com ela como uma pessoa serena, focada nos estudos e sempre disposta a ajudar. No sétimo período da graduação em Psicologia na Faculdade de Pará de Minas (Fapam), carregava o sonho de atuar na área clínica e de acolhimento. Colegas de turma lembram dela como alguém que chegava cedo às aulas, participava ativamente das discussões e anotava tudo com capricho. “Era daquelas pessoas que a gente sente falta logo no primeiro dia que não aparece”, relatou uma amiga próxima.
Na segunda-feira, 9 de fevereiro, Vanessa saiu de casa com a rotina habitual. Tinha compromisso em Juatuba, na unidade do Sine, onde faria cadastro para participar de um processo seletivo de estágio. A família esperava que ela retornasse no fim da tarde, como de costume. Porém, as horas foram passando e não houve retorno, nem resposta às mensagens ou ligações. Por volta das 20h, parentes começaram a acionar conhecidos e a registrar boletim de ocorrência, temendo que algo grave tivesse acontecido.
Durante a madrugada e a manhã seguinte, buscas mobilizaram policiais militares, civis e voluntários da região. Imagens de Vanessa circularam intensamente nas redes, acompanhadas de pedidos emocionados: “Se alguém viu, por favor, nos avise”. A angústia da família era visível em cada publicação. Infelizmente, a resposta veio de forma trágica. Por volta das 10h30 de terça-feira, moradores que utilizam a pista de caminhada próxima à rodovia avistaram algo incomum entre a vegetação e acionaram a polícia. Era o corpo de Vanessa.
A perícia preliminar apontou que a jovem apresentava sinais de agressão e não estava vestida. A principal linha de investigação da Polícia Civil de Minas Gerais é de crime de natureza sexual seguido de morte, com indícios de que o óbito teria ocorrido por asfixia. Equipes especializadas trabalharam ao longo do dia isolando a área, coletando vestígios e ouvindo testemunhas que transitavam pelo local. A investigação ganhou contornos mais claros ainda na tarde de terça, quando um homem de 43 anos passou a ser tratado como principal suspeito.
O suspeito, que já tinha passagem pela Justiça e cumpria pena em regime semiaberto, teria feito contato telefônico com familiares de Vanessa admitindo envolvimento no caso. Logo depois, interrompeu a ligação e não foi mais localizado. A Polícia Civil reforçou a busca pelo homem, com apoio de equipes de Belo Horizonte e cidades vizinhas. Delegados afirmam que as investigações correm em ritmo acelerado e que todas as provas coletadas até o momento estão sendo analisadas com prioridade máxima.
A perda de Vanessa gerou comoção que transcendeu Pará de Minas e Juatuba. A Fapam suspendeu as atividades presenciais por dois dias em respeito à aluna e à família. Grupos de estudantes organizaram vigílias e rodas de conversa sobre segurança no trajeto casa-trabalho-estudo, especialmente para mulheres. O velório, realizado em Igaratinga na tarde de quarta-feira, reuniu centenas de pessoas que fizeram questão de prestar a última homenagem. Muitas carregavam cartazes com frases como “Justiça para Vanessa” e “Chega de nos tirar”.
Casos como esse reacendem o debate sobre proteção à vida das mulheres em espaços públicos e privados, sobre fiscalização de regimes prisionais e sobre a necessidade de redes de apoio mais eficazes para quem vive sozinho ou em deslocamentos diários. Enquanto a Justiça avança para esclarecer os fatos e responsabilizar quem cometeu o crime, o que resta é a lembrança de uma jovem que tinha planos, sorrisos e vontade de fazer a diferença. Vanessa Lara de Oliveira Silva tinha apenas 23 anos. E esse número, tão pequeno, dói em todos que souberam da sua história.





