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Delegado faz revelações sobre irmãos de Bacabal e mãe fala

Trinta e oito dias. Para quem olha de fora, pode parecer apenas um número. Para uma mãe, é uma eternidade. Em Bacabal, no interior do Maranhão, o tempo parece ter parado desde o dia 4 de janeiro, quando Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michael, de quatro, desapareceram junto com o primo Anderson Kauã, de oito.

Anderson foi encontrado quatro dias depois, debilitado, mas com vida. Já os dois irmãos seguem sem paradeiro conhecido. Desde então, a rotina da família virou um misto de esperança, angústia e fé. E foi justamente na fé que Clarice Cardoso, mãe das crianças, decidiu se apoiar publicamente.

Em suas redes sociais, ela compartilhou uma reflexão inspirada na história bíblica de Jó. A mensagem falava sobre permanecer fiel mesmo em meio à dor, confiar até o fim e acreditar na restauração. Ao final, escreveu apenas uma palavra: “Amém”. Simples, direta, carregada de significado.

Quem acompanha o caso percebe que não é apenas um desabafo religioso. É um grito silencioso de uma mãe que tenta se manter de pé. Em entrevistas anteriores, Clarice já havia dito que não acredita que os filhos tenham apenas se perdido. Ela sustenta a hipótese de que alguém possa ter levado as crianças e afirma que já relatou à polícia suas suspeitas.

As declarações dela ganharam ainda mais repercussão após novas falas do delegado-geral Manoel Almeida Neto. Em conversa recente com a imprensa, ele reforçou que a investigação é sigilosa e comparou o trabalho policial a um quebra-cabeça. Segundo ele, nenhuma hipótese está descartada.

Apesar disso, a principal linha de investigação continua sendo a de que as crianças teriam se perdido em uma área de mata. O delegado explicou que essa versão é sustentada, até o momento, pelo relato de Anderson Kauã, o único encontrado. Ele teria indicado o local onde estavam juntos pela última vez. Cães farejadores foram utilizados e vestígios confirmariam que o grupo esteve em uma casa abandonada na região.

O caso também chama atenção pelos detalhes sobre o estado em que Anderson foi localizado. Ele estava bastante debilitado e perdeu cerca de 10 quilos no período em que ficou desaparecido. Exames apontaram que não houve indícios de agressão por terceiros, apenas marcas compatíveis com o ambiente por onde teria caminhado. O laudo toxicológico ainda é aguardado.

Enquanto isso, Bacabal vive dias de tensão. Nas ruas, o assunto é constante. Em grupos de mensagens, moradores compartilham orações, teorias e pedidos por informações concretas. O caso já ultrapassou as fronteiras da cidade e mobiliza pessoas em diferentes partes do país, especialmente nas redes sociais, onde campanhas pedem respostas e reforçam a divulgação das imagens das crianças.

É impossível não pensar no impacto emocional de tudo isso. Uma casa que antes tinha o barulho de duas crianças pequenas agora convive com o silêncio. Brinquedos parados, roupas guardadas, lembranças espalhadas. Quem é pai ou mãe sente um aperto só de imaginar.

A polícia segue investigando, cruzando informações e analisando cada detalhe. A mãe, por sua vez, continua fazendo o que está ao alcance: falando, pedindo ajuda, orando. Entre versões oficiais e convicções pessoais, o fato é que duas crianças continuam desaparecidas.

E, no meio de tantas perguntas ainda sem resposta, permanece a fé de uma mãe que se recusa a desistir. Em Bacabal, a esperança resiste dia após dia, sustentada por orações, mobilização e pelo desejo coletivo de que Ágatha e Allan sejam encontrados.

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