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Moraes nega flexibilização de horário para Flávio visitar Bolsonaro

A rotina de visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro voltou ao centro do debate político nesta quarta-feira, 11 de fevereiro. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, negou um pedido feito pela defesa para que o senador Flávio Bolsonaro pudesse visitar o pai fora do horário regulamentar estabelecido pela unidade prisional.

A solicitação argumentava que Flávio não conseguiria comparecer dentro da faixa prevista porque retornava de viagem internacional. Ainda assim, segundo informações registradas na decisão, o senador esteve no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, onde Bolsonaro está custodiado.

De acordo com o despacho, Flávio chegou às 12h50 e permaneceu no local até as 13h. O detalhe que chamou atenção foi outro: ele poderia ter aguardado o horário seguinte de visita, no período da tarde, mas optou por deixar a unidade.

Na decisão, Moraes foi direto. Destacou que as visitas devem seguir as normas estabelecidas, sem flexibilizações que criem diferenciações. “A realização de visitas deve seguir as normas procedimentais estabelecidas, sem qualquer privilégio que possa colocar em risco a segurança penitenciária”, registrou o ministro.

O tema ganhou repercussão porque envolve dois elementos sensíveis: regras do sistema prisional e a figura de um ex-presidente da República. Desde que Bolsonaro foi transferido da Superintendência da Polícia Federal para a Papudinha, em decisão datada de 15 de janeiro, os dias e horários de visita ficaram formalmente definidos.

Conforme estabelecido, familiares próximos podem visitar o ex-presidente às quartas e quintas-feiras, em três janelas específicas: das 8h às 10h, das 11h às 13h ou das 14h às 16h. Entre os autorizados estão a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, os filhos Carlos, Flávio, Jair Renan e Laura, além da enteada Letícia.

Nos bastidores de Brasília, o episódio foi interpretado de formas diferentes. Aliados defendem que o pedido da defesa buscava apenas adequar a agenda a um imprevisto de viagem. Já críticos avaliam que a decisão reforça a ideia de tratamento igualitário dentro das regras do sistema.

O fato de Flávio Bolsonaro ser apontado como pré-candidato ao Palácio do Planalto também adiciona um componente político à situação. Qualquer movimentação envolvendo a família Bolsonaro tende a gerar repercussão imediata, principalmente em um cenário pré-eleitoral que já começa a ganhar contornos mais nítidos em 2026.

Vale lembrar que decisões relacionadas a visitas em unidades de custódia costumam seguir critérios rígidos. A organização de horários busca manter a segurança interna, evitar aglomerações e garantir controle adequado da rotina do estabelecimento.

No despacho desta quarta, Moraes ressaltou que não houve impedimento para a visita dentro das regras já estabelecidas. O ponto central foi a ausência de justificativa para um tratamento excepcional, já que o próprio senador esteve presente durante o horário permitido.

Enquanto isso, a movimentação política em torno do caso segue intensa. Parlamentares comentaram o episódio nas redes sociais, e apoiadores se manifestaram tanto em defesa quanto em crítica à decisão.

Em meio a discussões jurídicas e posicionamentos políticos, o episódio reforça um aspecto recorrente do atual cenário brasileiro: cada ato envolvendo figuras públicas de destaque rapidamente ultrapassa o campo técnico e se transforma em pauta nacional.

No fim das contas, a decisão mantém o que já estava determinado. As visitas seguem dias e horários fixos. E, pelo menos por ora, sem exceções.

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