Bacabal: Após 39 dias, mistério do desaparecimento continua sem respostas

Após 39 dias de angústia e buscas intensas, os irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, continuam desaparecidos no Quilombo São Sebastião dos Pretos, zona rural de Bacabal, no Maranhão. O caso, que mobilizou forças policiais e a comunidade local desde 4 de janeiro, permanece sem resolução, deixando a família e autoridades em um impasse investigativo. A Polícia Civil do estado coordena as operações, mas o mistério em torno do sumiço das crianças persiste, alimentando especulações e renovando apelos por informações.
O desaparecimento ocorreu em uma tarde comum, quando as crianças saíram para brincar com o primo Anderson Kauã, de 8 anos. Segundo relatos iniciais, o trio se aventurou na mata próxima à residência familiar em busca de frutas, como maracujás, e acabou se perdendo em uma área de vegetação densa. A ausência foi notada ao anoitecer, quando os pais deram o alarme, iniciando uma mobilização imediata de vizinhos e parentes para vasculhar os arredores.
Três dias após o sumiço, Anderson foi encontrado desidratado e assustado em uma estrada vicinal, sendo resgatado e levado para atendimento médico. Em seus depoimentos à polícia, o menino descreveu como o grupo encontrou uma casa abandonada na mata, onde passaram a noite, e como ele decidiu sair sozinho em busca de ajuda, deixando os primos para trás. Essas narrativas, no entanto, apresentaram variações ao longo do tempo, o que levantou questionamentos sobre detalhes como a presença de água ou possíveis encontros com estranhos.
As buscas foram ampliadas com o envolvimento de uma força-tarefa da Polícia Civil, incluindo o uso de cães farejadores, drones, helicópteros e mergulhadores em rios e lagos próximos. Áreas extensas de mata foram percorridas, com foco em rastros indicados pelos cães, como o cheiro das crianças próximo a um rio, sugerindo uma possível travessia ou acidente aquático. Apesar dos esforços, nenhuma pista concreta surgiu, e as operações passaram a se concentrar mais em inteligência e análise de depoimentos do que em varreduras físicas exaustivas.
A mãe das crianças, Clarice Cardoso, tem expressado publicamente sua dor insuportável, descrevendo o vazio como uma “dor que só piora a cada dia”. Em entrevistas, ela relata noites insones e a esperança que se apega a qualquer rumor ou nova diligência policial. A família, que inclui o padrasto, também foi ouvida pelas autoridades, com depoimentos que revelaram pequenas inconsistências sobre o horário exato do desaparecimento, embora nada conclusivo tenha sido apontado como suspeito.
Investigadores exploram múltiplas hipóteses, desde um simples extravio na mata até a possibilidade de sequestro ou envolvimento de terceiros, motivados por rumores que circulam na comunidade, como a menção a uma moto vista na região. Boatos infundados, como a venda das crianças, foram desmentidos pela polícia, que enfatiza a necessidade de cautela para não comprometer a investigação. A análise de contradições nos relatos familiares e do primo continua em sigilo, com o objetivo de esclarecer lacunas na cronologia dos eventos.
Com o passar dos dias, o caso de Bacabal ganha repercussão nacional, destacando vulnerabilidades em áreas rurais e a urgência de sistemas de alerta mais eficazes para crianças desaparecidas. A comunidade local mantém vigílias e campanhas de conscientização, enquanto autoridades prometem não abandonar as buscas. A família apela à população por qualquer informação que possa levar ao reencontro, mantendo viva a esperança em meio ao prolongado silêncio.





