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José Mayer: A trajetória de um ícone da dramaturgia brasileira e sua vida após o afastamento da TV

José Mayer, um dos nomes mais icônicos da dramaturgia brasileira, construiu uma trajetória brilhante ao longo de mais de quatro décadas, tornando-se sinônimo de talento e carisma nas telas da televisão. Nascido em 3 de outubro de 1949, em Jaguaraçu, Minas Gerais, filho de um enfermeiro e uma cabeleireira, ele cresceu em um ambiente simples no interior mineiro, o que moldou sua determinação e paixão pelas artes. Desde jovem, demonstrou interesse pelo teatro, iniciando sua carreira profissional em 1963, aos 14 anos, em montagens amadoras e grupos locais. Antes de se dedicar integralmente à atuação, atuou como professor de Português e Literatura na PUC Minas, em Belo Horizonte, experiência que enriqueceria sua interpretação profunda e reflexiva de personagens complexos.

Nos anos 1970, Mayer consolidou sua formação artística ao dirigir, produzir e atuar no Teatro Senac de Belo Horizonte por sete anos, período em que ganhou versatilidade como cenógrafo e diretor. Essa fase preparatória foi fundamental para sua migração ao Rio de Janeiro, onde buscou oportunidades maiores. Sua estreia na televisão ocorreu em 1977, na série infantil Sítio do Picapau Amarelo, interpretando o Burro Falante, um papel leve que marcou sua entrada na Globo. Logo em seguida, participou de episódios de programas como Carga Pesada e minisséries que o colocaram no radar dos autores e diretores da emissora, pavimentando o caminho para papéis mais expressivos.

O verdadeiro reconhecimento veio na década de 1980, quando Mayer se destacou como galã em produções de grande audiência. Ele brilhou em novelas como Guerra dos Sexos (1983), A Gata Comeu (1985), onde interpretou o charmoso Edson, e Tieta (1989), vivendo o Zé do Burro em adaptação marcante da obra de Jorge Amado. Sua presença magnética, combinada com uma atuação natural e envolvente, o transformou em um dos atores mais requisitados da casa, capaz de transitar entre personagens românticos, intensos e carismáticos. Nessa época, ele também explorou o cinema, participando de filmes como Enigma para Demônios (1975) e outros projetos que complementaram sua carreira multifacetada.

Nos anos 1990 e 2000, José Mayer alcançou o auge de popularidade, protagonizando ou coadjuvando em sucessos inesquecíveis da teledramaturgia brasileira. Entre seus trabalhos mais celebrados estão História de Amor (1995), onde viveu o médico Carlos Alberto Moretti e recebeu prêmios importantes; A Indomada (1997); Laços de Família (2000), com o marcante Pedro; Mulheres Apaixonadas (2003); Senhora do Destino (2004); e Fina Estampas (2011). Sua capacidade de criar vilões carismáticos, galãs apaixonados ou figuras paternas complexas conquistou gerações de telespectadores, consolidando-o como um dos maiores nomes da Globo. Seu último grande papel foi em A Lei do Amor (2016), onde interpretou Tião Bezerra, um antagonista cheio de camadas, demonstrando maturidade interpretativa impressionante.

Desde 2019, quando seu contrato com a Rede Globo não foi renovado, Mayer permanece afastado das novelas e de qualquer produção televisiva regular, completando agora sete anos sem novas aparições nas telas. Ele optou por uma vida mais reservada, recusando convites para retornar à emissora ou aceitar propostas em outras plataformas de streaming e emissoras. Essa escolha reflete uma decisão pessoal de priorizar a tranquilidade e o afastamento da rotina intensa do set de gravações, após décadas de dedicação integral à profissão.

Atualmente, aos 76 anos, José Mayer reside em um sítio em Itaipava, na região serrana do Rio de Janeiro, ao lado da esposa Vera Fajardo, com quem é casado desde 1971 e tem uma filha, Júlia Fajardo. Nesse refúgio, ele leva uma rotina pacata, dedicada a leituras, momentos familiares e reflexões pessoais. Suas aparições públicas são extremamente raras: em janeiro de 2026, foi visto fazendo compras em um shopping no Rio, exibindo cabelos e barba brancos, visual descontraído e sereno. Recentemente, uma postagem esporádica nas redes sociais, compartilhada por perfis próximos, mostrou-o em um vídeo no sítio, falando sobre gratidão, perdão e transformação, o que emocionou fãs e gerou mensagens de carinho de colegas da televisão.

O legado de José Mayer na televisão brasileira permanece vivo, com reprises de suas novelas clássicas continuando a encantar novas audiências. Personagens como os de Tieta, Laços de Família e Mulheres Apaixonadas são reverenciados como parte da memória afetiva do público, provando que seu talento transcende o tempo. Embora não haja sinais de um retorno próximo às telas, sua história inspira reflexões sobre dedicação à arte, escolhas pessoais e a busca por equilíbrio após uma carreira tão intensa e premiada no entretenimento nacional.

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