Quem foi o secretário em GO que matou o filho e tirou a própria vida

Itumbiara, no sul de Goiás, vive dias de comoção desde a noite de quarta-feira (11). A cidade, conhecida pelo ritmo tranquilo e pelas obras de infraestrutura que vêm mudando a paisagem urbana nos últimos anos, foi surpreendida por uma notícia difícil de assimilar. O secretário de Governo da Prefeitura, Thales Machado, se envolveu em um episódio dentro de casa que terminou com sua morte e deixou os dois filhos feridos. Uma das crianças não resistiu, e a outra segue internada em estado grave na UTI.
Thales tinha 40 anos e era genro do prefeito Dione Araújo. Figura ativa na administração municipal, ele costumava usar as redes sociais para divulgar ações da prefeitura, visitar canteiros de obras e apresentar resultados de projetos. Para quem acompanhava seu perfil, era comum ver vídeos curtos mostrando asfaltamento de ruas, reformas em escolas e anúncios de novos serviços.
Na última publicação antes do ocorrido, ele comemorava a chegada da “Carreta do Sesc Visão” a Inaciolândia, município vizinho a Itumbiara. O post seguia o padrão que ele mantinha: tom informativo, imagens da estrutura sendo montada e uma legenda otimista sobre atendimento à população. Nada indicava, ao menos publicamente, qualquer sinal de crise.
Dias antes, uma “trend” com uso de inteligência artificial havia sido compartilhada em seu perfil. O vídeo mostrava Thales ao lado da esposa e dos filhos, com cenários conhecidos de Itumbiara ao fundo. Era uma dessas montagens modernas que misturam tecnologia e memória afetiva. Em outro registro, mais simples e espontâneo, ele aparecia acompanhando os meninos em um jogo do Flamengo, time pelo qual torciam. Camisas rubro-negras, arquibancada ao fundo e sorrisos típicos de um fim de semana em família.
A sucessão de imagens contrasta com o desfecho da noite de quarta-feira. Segundo informações confirmadas pelas autoridades, o caso ocorreu dentro da residência da família. Uma das crianças morreu, enquanto a outra foi socorrida e permanece hospitalizada. Thales também foi encontrado sem vida.
Horas depois, uma suposta carta foi publicada no perfil do secretário. O texto, com tom de despedida, mencionava questões pessoais e emocionais. A publicação foi removida pouco tempo depois, mas já havia repercutido. Na manhã desta quinta-feira (12), o perfil foi configurado como restrito aos seguidores.
A Polícia Civil abriu investigação para esclarecer a dinâmica e as circunstâncias do ocorrido. A perícia esteve no local, e os detalhes serão apurados ao longo dos próximos dias. A prefeitura ainda não divulgou informações adicionais além de notas de pesar e solidariedade à família.
Nas ruas de Itumbiara, o assunto domina conversas em padarias, grupos de mensagens e rodas de trabalho. Muitos moradores lembram da presença constante de Thales em eventos públicos e visitas técnicas. “Ele estava sempre mostrando as obras, parecia animado com os projetos”, comentou um servidor municipal que preferiu não se identificar.
O episódio também reacende uma discussão necessária sobre saúde emocional e pressão pessoal, especialmente em cargos de alta responsabilidade. Especialistas lembram que, por trás de funções públicas e agendas cheias, existem pessoas lidando com desafios íntimos que nem sempre vêm à tona.
Enquanto a cidade tenta compreender o que aconteceu, prevalece o sentimento de tristeza e incredulidade. Em meio à dor, fica o alerta sobre a importância de buscar apoio em momentos de dificuldade e de fortalecer redes de acolhimento. Porque, muitas vezes, os sinais são silenciosos — e a escuta atenta pode fazer toda a diferença.





