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Tarcísio diz que falou com ministros do STF sobre domiciliar a Bolsonaro

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (12) que conversou com ministros do Supremo Tribunal Federal sobre a possibilidade de transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o regime domiciliar. A declaração foi dada durante coletiva de imprensa em Guarulhos, na Grande São Paulo, onde o chefe do Executivo paulista participou do anúncio de novos investimentos em infraestrutura.

As reuniões aconteceram na quarta-feira (11), em Brasília. Segundo Tarcísio, ele teve agendas com os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Questionado pela CNN se o tema foi tratado nos encontros, respondeu de forma direta: “Quando tem oportunidade, a gente sempre leva a questão”.

O governador tem defendido publicamente uma análise que, nas palavras dele, seja “técnica e humanitária”. Para Tarcísio, o estado de saúde do ex-presidente deve ser considerado com atenção. “Vocês conhecem minha posição, que também é técnica, porque entendo que o presidente não tem saúde para estar no regime fechado. Ele precisa estar com a sua família para ter a melhor assistência possível”, afirmou.

A fala foi acompanhada de um apelo por maior consideração institucional aos ex-presidentes da República. “Acho que a gente tem que ter muita consideração com os ex-presidentes. É uma coisa que o Brasil precisa aprender”, completou. O governador disse ainda que continuará apresentando argumentos nesse sentido e trabalhando para que Bolsonaro possa cumprir eventual pena em casa, “com o máximo de dignidade possível”.

O tema tem mobilizado o meio político em Brasília nas últimas semanas. Aliados do ex-presidente vêm reforçando a necessidade de avaliar as condições de saúde e a possibilidade de progressão de regime, enquanto opositores defendem que qualquer decisão siga estritamente os critérios legais aplicáveis a todos os cidadãos.

Durante o evento em Guarulhos, que tratou de obras viárias e melhorias logísticas — incluindo intervenções em rodovias estratégicas para o escoamento de produção —, o assunto jurídico acabou dividindo espaço com os anúncios administrativos. Tarcísio, que mantém bom trânsito entre diferentes alas políticas, demonstrou confiança no diálogo institucional.

“Existe um sentimento, que está sendo construído, de que isso é plenamente factível”, disse ele, ao comentar a possibilidade de mudança de regime. Como exemplo, citou o caso do ex-presidente Fernando Collor, que atualmente cumpre pena em regime domiciliar. “Nós temos outros casos. O presidente Collor está hoje nessa situação, e nós estamos buscando isso também”, analisou.

A eventual decisão caberá ao Supremo Tribunal Federal, responsável por analisar pedidos dessa natureza envolvendo ex-chefes do Executivo federal. Especialistas em direito penal lembram que a concessão de regime domiciliar pode ocorrer quando há fundamentos legais, como questões de saúde devidamente comprovadas.

Enquanto isso, o debate segue alimentando discussões tanto no Congresso quanto nas redes sociais. Para apoiadores, trata-se de uma questão de humanidade e respeito à trajetória institucional. Para críticos, o foco deve permanecer na aplicação igualitária da lei.

No meio desse cenário, Tarcísio reforça que continuará dialogando. “A gente sempre leva os argumentos”, repetiu. A sinalização é de que o tema ainda deve ocupar espaço nas conversas políticas nas próximas semanas, à medida que o STF analisa os desdobramentos do caso.
 

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