A influenciadora Jéssica Daugirdas morreu aos 35 anos após ficar três anos lutando contra grave doença

A morte da influenciadora digital Jéssica Daugirdas, aos 35 anos, comoveu seguidores em todo o país e trouxe novamente ao centro das discussões um problema de saúde que avança de forma silenciosa no Brasil. Após quase três anos de tratamento contra um câncer colorretal, a notícia foi confirmada pela família nas redes sociais e rapidamente ganhou repercussão nacional, mobilizando mensagens de apoio e reflexões sobre prevenção.
Conhecida por compartilhar momentos do dia a dia e também detalhes da própria jornada de saúde, Jéssica transformou sua experiência em um espaço de informação e acolhimento para milhares de pessoas. A exposição pública da luta contra a doença ampliou o alcance do tema e ajudou a quebrar parte do silêncio que ainda envolve questões relacionadas ao intestino, muitas vezes evitadas em conversas familiares e até em consultórios médicos.
Especialistas alertam que o caso reforça uma mudança no perfil dos pacientes diagnosticados com câncer colorretal. Segundo o coloproctologista Danilo Munhoz, há um crescimento significativo de registros entre pessoas mais jovens, inclusive sem histórico familiar ou fatores de risco considerados clássicos. Esse cenário acende um sinal de atenção para sintomas que costumam ser ignorados ou atribuídos a problemas menos graves.
O câncer colorretal é conhecido por evoluir de forma discreta nas fases iniciais, o que dificulta o diagnóstico precoce. Na maioria das situações, não há dor nos primeiros estágios, e os sinais podem parecer comuns, como alterações no funcionamento do intestino, presença de sangue nas fezes, sensação frequente de inchaço abdominal ou perda de peso sem causa aparente. Quando esses indícios se tornam persistentes, a doença pode já estar em fase mais avançada.
Além da dificuldade na identificação precoce, o estilo de vida também exerce papel relevante no risco de desenvolvimento da enfermidade. Alimentação com baixo consumo de fibras, ingestão insuficiente de água, rotina sedentária e excesso de produtos ultraprocessados estão entre os fatores associados ao aumento de casos. Mudanças simples na rotina, como incluir frutas, verduras e cereais integrais no cardápio, podem contribuir para a saúde intestinal ao longo dos anos.
Outro ponto destacado por especialistas é o impacto do tabu em torno das doenças intestinais. Muitas pessoas adiam consultas por constrangimento ou por subestimarem os sintomas, o que compromete as chances de um diagnóstico em fase inicial. A exposição do caso de Jéssica nas redes sociais acabou ampliando o debate público e incentivando seguidores a buscarem informação e avaliação médica.
A recomendação atual é que homens e mulheres iniciem o rastreamento a partir dos 45 anos, ou antes disso quando houver histórico familiar da doença. A colonoscopia é considerada o principal exame preventivo, pois permite identificar e retirar lesões antes que evoluam. Especialistas reforçam que a informação, aliada ao acompanhamento médico regular, pode alterar significativamente o curso da doença e aumentar as possibilidades de tratamento bem-sucedido.





