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Esposa do secretário de Itumbiara é atacada na internet após acusação de traição

Itumbiara amanheceu em silêncio nesta quinta-feira (12). A cidade, conhecida pelo ritmo tranquilo do interior goiano, foi tomada por um clima de consternação depois que veio à tona a notícia envolvendo o secretário municipal Thales Machado, genro do prefeito Dione Araújo. O caso abalou a comunidade e rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais.

Segundo informações confirmadas pelas autoridades, Thales tirou a vida dos dois filhos, de 12 e 8 anos, e depois atentou contra a própria vida. A tragédia, por si só, já causaria comoção suficiente. No entanto, horas depois, um outro movimento começou a ganhar força na internet: ataques direcionados à esposa dele, mãe das crianças.

A motivação para essa onda de comentários foi uma carta publicada por Thales pouco antes do ocorrido. No texto, ele mencionava uma suposta traição e afirmava ter chegado ao que chamou de “limite do improvável”. A publicação se espalhou rapidamente e passou a ser usada por alguns internautas como justificativa para responsabilizar a mulher pelo que aconteceu.

Nos perfis ligados ao ex-secretário, surgiram comentários insinuando que ela teria “provocado” a situação. A reportagem do ND Mais optou por não reproduzir esse tipo de conteúdo. Fontes ouvidas explicaram que esse comportamento é conhecido como culpabilização da vítima, um fenômeno social recorrente em casos de grande repercussão.

A lógica por trás desse mecanismo é simples e preocupante: em vez de concentrar a responsabilidade em quem praticou o ato, parte da opinião pública tenta encontrar justificativas externas. No caso de Itumbiara, a mãe que perdeu os filhos passou a ser alvo de julgamentos virtuais, como se tivesse participação direta em uma decisão que não foi dela.

Especialistas apontam que cartas deixadas por autores de crimes muitas vezes seguem esse padrão. Ao atribuir a terceiros a causa de seus atos, o responsável transfere a culpa e constrói uma narrativa que pode influenciar quem lê. Quando essa versão é compartilhada sem reflexão, o discurso se fortalece.

Uma seguidora, em meio ao turbilhão de comentários, escreveu uma reflexão que também circulou bastante. Ela afirmou que atitudes baseadas em machismo e incapacidade de lidar com frustrações podem gerar consequências devastadoras, não apenas para mulheres, mas para toda a família. A publicação destacava que adultos precisam assumir responsabilidades por suas escolhas, em vez de projetar a dor em quem está ao redor.

O episódio reacende um debate importante sobre o papel das redes sociais em momentos delicados. Em poucos minutos, opiniões ganham alcance nacional. Comentários feitos no impulso podem ampliar o sofrimento de quem já enfrenta uma perda irreparável.

Itumbiara, que acompanha tudo de perto, tenta agora lidar com o luto e buscar respostas. Escolas, vizinhos e amigos das crianças se mobilizam em homenagens discretas. Ao mesmo tempo, cresce a discussão sobre empatia e responsabilidade digital.

Casos como esse mostram que, além da dor imediata, existe uma segunda camada de impacto: a narrativa construída depois. E ela pode ferir tanto quanto os fatos. Em meio à comoção, talvez o maior desafio seja lembrar que, por trás das manchetes e dos perfis nas redes, existem pessoas reais vivendo o pior momento de suas vidas.

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