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Viúva de Secretário que tirou a própria vida deixa velório do filho antes do fim

O fim da tarde desta quinta-feira, 12, foi marcado por silêncio e apreensão no cemitério de Itumbiara, no sul de Goiás. O sepultamento das duas crianças que perderam a vida em um episódio que abalou a cidade aconteceu por volta das 17h50. Amigos e familiares acompanharam o cortejo, mas o clima estava longe de ser apenas de despedida. Havia tensão no ar.

A mãe de um dos meninos, Sarah Araújo, chegou ao local sob escolta. A entrada foi planejada com cuidado: o carro parou próximo ao ponto do enterro para evitar exposição e possíveis abordagens. Mesmo assim, relatos de intimidação e ameaças durante a cerimônia fizeram com que ela deixasse o cemitério antes do fim. A decisão, segundo pessoas próximas, foi tomada por segurança.

Em cidades do interior, onde quase todo mundo se conhece, tragédias ganham proporções ainda maiores. Conversas se espalham rápido, opiniões se formam em minutos e, nas redes sociais, os julgamentos muitas vezes vêm antes das informações completas. Amigos da família afirmam que, após o ocorrido, Sarah passou a receber ataques virtuais. Comentários duros, mensagens invasivas, acusações precipitadas. Um cenário que, infelizmente, tem se tornado comum em episódios de grande repercussão.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Goiás. A apuração envolve tanto as circunstâncias das ameaças registradas durante o velório quanto os detalhes do crime que vitimou as crianças. A cidade ainda tenta entender o que aconteceu na noite de quarta-feira, 11.

Segundo as informações divulgadas até agora, o então secretário de Governo de Itumbiara, Thales Naves Alves Machado, de 40 anos, atirou contra os dois filhos e, em seguida, tirou a própria vida. O filho mais velho, de 12 anos, morreu no local. O mais novo, de 8, chegou a ser socorrido, passou por cirurgia, mas não resistiu posteriormente.

Horas antes do ocorrido, circulou nas redes sociais uma publicação atribuída a Thales. No texto, ele mencionava questões pessoais e pedia desculpas a familiares e pessoas próximas. Em um trecho que ganhou ampla repercussão, escreveu: “Dione, meu eterno respeito e admiração e desculpe pelo que fiz… sei que não tem perdão”. A mensagem passou a ser compartilhada em grupos de conversa e páginas locais, ampliando ainda mais a comoção.

Nos últimos anos, o Brasil tem debatido com mais frequência a importância da saúde mental, especialmente após períodos de forte instabilidade social e econômica. Especialistas alertam que conflitos familiares, pressões profissionais e dificuldades emocionais podem se acumular de forma silenciosa. Ainda assim, cada caso carrega suas particularidades e precisa ser analisado com responsabilidade.

Enquanto isso, em Itumbiara, o sentimento é de perplexidade. Escolas, comércios e repartições públicas comentam o assunto em voz baixa. Pais e mães se perguntam como explicar aos filhos o que aconteceu. Não há respostas simples.

No cemitério, a cena da mãe deixando o local antes do fim do sepultamento simbolizou mais uma camada de dor em meio a tudo isso. Além da perda irreparável, a necessidade de se proteger. Em momentos assim, talvez o maior desafio seja equilibrar o direito à informação com o respeito às famílias envolvidas.

A investigação segue, e a cidade tenta, aos poucos, retomar a rotina. Mas há feridas que demoram a cicatrizar.

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