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Em Santa Catarina, o corpo do Cão Orelha foi exumado para novas investigações

A morte do cão comunitário Orelha, registrada no início de janeiro na Praia Brava, em Florianópolis, continua repercutindo em todo o país e ganhou um novo capítulo nesta semana. A Polícia Científica confirmou que o corpo do animal foi exumado para a realização de uma nova perícia, medida que pode trazer esclarecimentos adicionais sobre as circunstâncias do caso. A decisão ocorre após o Ministério Público de Santa Catarina apontar inconsistências no inquérito concluído pela Polícia Civil e solicitar a complementação das investigações.

A exumação foi realizada na quarta-feira e, segundo a Polícia Científica, um novo laudo deve ser apresentado em até dez dias. A expectativa é que o exame detalhado ajude a esclarecer a dinâmica dos fatos e contribua para uma reconstrução mais precisa do que ocorreu na madrugada de 4 de janeiro. O caso mobilizou moradores da região e gerou ampla repercussão nas redes sociais, com pedidos por justiça e maior rigor na apuração.

O inquérito conduzido pela Polícia Civil havia solicitado a internação de um adolescente por ato infracional análogo a maus-tratos contra animal. No entanto, ao analisar o material encaminhado, o Ministério Público considerou que ainda havia lacunas a serem preenchidas. Por isso, devolveu o procedimento à polícia, fixando prazo de 20 dias para o cumprimento de novas diligências consideradas essenciais para o avanço do processo.

A 10ª Promotoria de Justiça da área da Infância e Juventude determinou a inclusão de vídeos relacionados a possíveis atos infracionais dos suspeitos, além de registros envolvendo cães da região. Também requisitou a realização de perícia direta no corpo de Orelha, entendendo que o exame pode contribuir para esclarecer pontos que ainda não estão totalmente definidos nos autos. A intenção é reunir elementos suficientes para embasar eventual denúncia com maior consistência técnica.

Paralelamente, a 2ª Promotoria de Justiça da Capital, na área criminal, solicitou esclarecimentos específicos para verificar se houve coação no curso do processo. O órgão também requisitou a oitiva de novas testemunhas. A Polícia Civil havia indiciado três adultos por suposta interferência nas investigações, e o Ministério Público quer aprofundar a análise sobre a conduta desses envolvidos.

Em nota oficial, a Polícia Civil de Santa Catarina informou que recebeu os pedidos de diligências e que irá cumpri-los com celeridade. A corporação afirmou que o objetivo é permitir que a denúncia possa seguir à Justiça acompanhada de todas as provas obtidas. De acordo com o laudo inicial da Polícia Científica, Orelha sofreu uma pancada contundente na cabeça, possivelmente causada por chute ou por objeto rígido. Após ser encontrado ferido, foi levado por moradores ao veterinário no dia seguinte, mas não resistiu.

O caso também passou a envolver questionamentos sobre a atuação institucional. A 40ª Promotoria instaurou procedimento preparatório para apurar a conduta do delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel. A medida busca avaliar se há elementos para eventual abertura de inquérito civil. O delegado declarou estar tranquilo e afirmou confiar no trabalho do Ministério Público. Ele também mencionou que representações apresentadas contra sua atuação podem ter motivações políticas, destacando que está à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários.

Enquanto as novas perícias e diligências avançam, moradores da Praia Brava seguem acompanhando o caso com atenção. Orelha era cuidado por diversos residentes e se tornou símbolo de mobilização comunitária. Agora, a expectativa gira em torno dos resultados da nova perícia e das conclusões complementares que poderão definir os próximos passos na esfera judicial.

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