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Tensão máxima no STF: Ministros desconfiam que Toffoli gravou sessão

O clima no Supremo Tribunal Federal não é dos mais tranquilos. Nos bastidores da Corte, ministros convivem com um desconforto incomum após o vazamento de trechos de uma sessão que deveria ser reservada. O encontro discutia a permanência do ministro Dias Toffoli na relatoria de um processo envolvendo o Banco Master. O que era para ficar entre paredes de mármore acabou exposto em detalhes.

A reportagem publicada pelo Poder360 trouxe falas transcritas de maneira literal, com riqueza de detalhes e construção sintática difícil de reproduzir apenas pela memória. Esse ponto acendeu o alerta interno. Para parte dos ministros, a precisão sugere a possibilidade de gravação. E, se houve gravação, quem a fez?

A suspeita gerou algo raro no STF: desconfiança entre colegas. Em um tribunal onde o sigilo é regra em determinados momentos, qualquer brecha vira crise institucional. Alguns enxergam na divulgação uma tentativa de autopreservação. Outros avaliam que poderia haver interesse em expor divergências internas e desgastar a imagem de Toffoli.

O pano de fundo é delicado. O processo do Banco Master já vinha sendo acompanhado com atenção, e a atuação da Polícia Federal no caso também virou alvo de críticas durante a sessão. Ministros questionaram a investigação conduzida sobre Toffoli, apontando possível excesso ou falhas formais.

Gilmar Mendes sugeriu que decisões anteriores do ministro teriam contrariado interesses da PF. Luiz Fux afirmou confiar plenamente na palavra do colega. Nunes Marques demonstrou preocupação com o que chamou de risco à autonomia do Judiciário. André Mendonça também reforçou que não via elementos que justificassem suspeições mais graves.

Já Flávio Dino e Cristiano Zanin direcionaram críticas ao relatório produzido pela Polícia Federal, classificando o material como frágil sob o ponto de vista jurídico. O debate, segundo relatos, foi intenso. Não apenas técnico, mas político no sentido mais amplo da palavra: como preservar a autoridade da instituição em meio à exposição pública?

No centro da tempestade está Toffoli. Ele nega ter gravado a sessão ou repassado conteúdo a terceiros. Segundo informações divulgadas pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, o ministro afirmou não ter qualquer envolvimento com o vazamento e levantou a hipótese de falha na área de tecnologia da Corte.

A explicação, contudo, não encerrou o mal-estar. Em ambientes de alta confiança institucional, a simples suspeita já produz efeitos duradouros. Conversas passam a ser medidas, olhares ganham novos significados.

A ministra Cármen Lúcia teria resumido a preocupação maior: a imagem do Supremo diante da sociedade. Em tempos de polarização e críticas frequentes às instituições, qualquer sinal de divisão interna amplia o desgaste. O STF, que nos últimos anos esteve no centro de decisões sobre temas sensíveis da política nacional, agora enfrenta uma crise voltada para dentro.

Há quem veja no episódio um alerta sobre segurança da informação em órgãos públicos. Outros interpretam como reflexo de tensões acumuladas em julgamentos recentes e investigações de grande repercussão.

O fato é que o Supremo atravessa um momento de cautela. Mais do que decidir sobre um ministro específico, a Corte precisa reconstruir a confiança interna e reafirmar sua autoridade. Em Brasília, onde cada gesto tem peso simbólico, o silêncio dos próximos dias pode dizer tanto quanto qualquer voto em plenário.

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