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Os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro estão aproveitando o Carnaval

O Carnaval de Belo Horizonte ganhou um novo capítulo neste domingo 15 de fevereiro com a estreia do Bloco da Anistia, organizado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em meio às tradicionais cores e ritmos da folia, o verde e amarelo tomou conta do bairro Lourdes, onde centenas de participantes se reuniram para um desfile que misturou música, posicionamento político e palavras de ordem.

A concentração começou por volta das 11h e chamou a atenção de moradores e turistas que circulavam pela região central da capital mineira. Vestidos com camisetas da seleção brasileira, bandeiras e cartazes, os foliões transformaram o espaço em um ato público que se apresentou como manifestação por anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

O evento foi organizado por movimentos conservadores de Minas Gerais e marcou a primeira participação oficial de um bloco ligado à direita no Carnaval belo-horizontino. Segundo os organizadores, a proposta surgiu ainda em 2023, inicialmente com outro nome, mas foi reformulada diante do cenário político recente para se tornar um apelo direto por anistia considerada geral, ampla e irrestrita.

A abertura contou com a oração do Pai Nosso, seguida da execução do Hino Nacional em ritmo de marchinha, adaptado ao clima carnavalesco. Logo depois, os presentes entoaram o coro Acorda, Brasil, acorda, dando o tom do que seria o restante do cortejo ao longo da tarde.

Entre os gritos puxados durante o desfile estavam frases direcionadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, responsável por decisões relacionadas às investigações dos atos de janeiro. A Polícia Militar acompanhou a concentração com cerca de 20 agentes, mantendo monitoramento do trajeto e da movimentação do público.

Um dos destaques do trio elétrico foi a presença do cantor paulista Boca Nervosa, conhecido no samba, que apresentou músicas autorais e incluiu no repertório uma canção inédita intitulada Fora Xandão. O refrão, repetido pelos participantes, pedia mudanças no Judiciário e defendia a pacificação do país, em sintonia com o slogan divulgado nas redes sociais do bloco.

Cristiano Guimarães, integrante do Movimento Pró-Brasil e um dos organizadores, afirmou que a ideia do bloco nasceu como forma de levar ao espaço público o debate sobre anistia. Segundo ele, o objetivo central é defender o que classificam como pacificação nacional, argumentando que, em outros períodos da história brasileira, medidas semelhantes foram adotadas para encerrar conflitos políticos.

Outro participante em evidência foi Cristiano Reis, ligado ao Movimento Direita BH, que utilizava uma máscara com o rosto de Alexandre de Moraes e vestia uma camisa com a frase eu sou a lei. Ele declarou que o ato representa um protesto contra decisões do Judiciário e que, na visão do grupo, há preocupação com o que consideram insegurança jurídica.

O bloco seguiu em cortejo até a Praça João Luiz Alves, onde permaneceu ao longo da tarde com apresentações musicais e discursos de convidados. Entre os nomes confirmados estava o deputado federal Eros Biondini, que também é cantor e ficou responsável por encerrar a programação no trio.

A realização do Bloco da Anistia amplia o leque de manifestações temáticas no Carnaval de Belo Horizonte, que nos últimos anos passou a abrigar cortejos com diferentes pautas sociais e culturais. A presença do grupo evidencia como a maior festa popular do país também se tornou espaço para expressões políticas, reunindo música, símbolos e discursos em meio ao ambiente festivo que marca a capital mineira nesta temporada.

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