Enquanto Lula é homenageado no carnaval, veja o que fizeram com Bolsonaro

O Carnaval do Rio de Janeiro de 2026 trouxe à avenida uma narrativa política marcante com o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que escolheu homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sob o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a agremiação traçou a trajetória do líder petista, desde suas origens humildes até sua volta ao poder, mesclando elementos biográficos com críticas ao período anterior. Essa abordagem transformou o sambódromo em um palco de reflexão sobre a história recente do país, onde a folia se entrelaça com debates sociais e ideológicos, uma tradição consolidada no carnaval brasileiro.
A figura de Jair Bolsonaro, ex-presidente e principal opositor de Lula, surge de forma proeminente no desfile, mas sempre sob uma ótica satírica e crítica. Representado como um palhaço Bozo, o personagem alude ao apelido pejorativo usado por detratores, simbolizando o que a escola retrata como um período de instabilidade e retrocessos. Essa alegoria integra um setor dedicado aos anos sem o PT no governo, incluindo referências a governos Temer e Bolsonaro, onde o humor carnavalesco serve para denunciar supostas falhas em políticas públicas e na gestão da pandemia.
Elementos visuais chamativos reforçam as menções a Bolsonaro, como esculturas de um vampiro-monstro e pessoas transformadas em “jacarés”, ecoando declarações controversas do ex-presidente sobre vacinas contra a Covid-19. Uma alegoria em forma de pirâmide exibe o palhaço com tornozeleira eletrônica danificada, aludindo a investigações judiciais em curso, enquanto memes e gestos icônicos, como o de “arminha” com as mãos, são ridicularizados em alas e carros alegóricos. Esses detalhes não apenas entretêm, mas provocam o público a refletir sobre as divisões políticas do Brasil.
O samba-enredo, peça central do desfile, incorpora críticas sutis a Bolsonaro por meio de versos como “sem mitos falsos, sem anistia”, que evocam temas de soberania, democracia e rejeição a narrativas consideradas falsas. Essa letra, cantada com entusiasmo pela comunidade da escola, reforça a mensagem de esperança associada a Lula, contrastando com o que é retratado como um tempo de trevas. A composição musical, aliada à coreografia vibrante, eleva o desfile a uma manifestação cultural que transcende o entretenimento, tornando-se um ato de posicionamento político.
Polêmicas não faltaram em torno do enredo, com acusações de propaganda eleitoral antecipada vindas da oposição, especialmente considerando o ano de eleições municipais. Ações judiciais foram movidas para tentar barrar o desfile, mas foram rejeitadas pelo Tribunal Superior Eleitoral e pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, garantindo a liberdade de expressão artística. A escola desistiu de captar recursos via Lei Rouanet para evitar mais controvérsias, optando por financiamento próprio e patrocínios, o que destacou o debate sobre o uso de verbas públicas em eventos culturais com viés político.
A presença de Lula no sambódromo, ao lado do prefeito Eduardo Paes, e a participação de sua esposa Janja no desfile adicionaram um tom pessoal à homenagem. Esses momentos foram capturados pela mídia e pelas redes sociais, amplificando o impacto do evento e gerando discussões acaloradas online. Críticos argumentam que o carnaval deve permanecer apolítico, enquanto defensores veem nele uma ferramenta democrática para o povo expressar suas visões, ilustrando como a festa popular reflete as tensões da sociedade brasileira.
Em suma, a menção a Bolsonaro no desfile dedicado a Lula exemplifica como o carnaval serve de espelho para a realidade nacional, misturando alegria, crítica e engajamento cívico. Esse episódio de 2026 reforça a tradição do samba como forma de resistência cultural, convidando o Brasil a dialogar sobre seu passado recente enquanto celebra o presente, em um espetáculo que une arte e política de maneira inesquecível.





