A passagem da Acadêmicos de Niterói pela Sapucaí dividiu o público com a passagem do presidente Lula

No coração do Carnaval carioca, um desfile que prometia apenas emocionar acabou provocando uma das cenas mais comentadas da noite. A passagem da escola de samba Acadêmicos de Niterói pela Marquês de Sapucaí transformou a abertura dos desfiles em um verdadeiro termômetro político, com aplausos de um lado e vaias de outro. O enredo que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dividiu o público e dominou as conversas nas arquibancadas, camarotes e redes sociais.
Primeira escola a entrar na avenida pelo grupo especial, a agremiação apresentou o enredo Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil. A proposta foi contar a trajetória do presidente desde a infância humilde até a chegada ao Palácio do Planalto, com alegorias grandiosas e fantasias que destacaram momentos marcantes de sua história política. A comissão de frente, os carros alegóricos e o samba-enredo apostaram em uma narrativa de superação e ascensão social, o que despertou reações imediatas do público.
No Setor 1, tradicionalmente ocupado por torcedores e público popular, a recepção foi calorosa. Muitos foliões se levantaram assim que a escola surgiu na avenida e passaram a cantar em coro o nome do presidente, acompanhando o ritmo da bateria. Nesse espaço, não houve registro significativo de vaias, e o clima foi de celebração, com bandeiras e gestos de apoio sendo exibidos durante o desfile.
A cena mudou em parte dos camarotes, especialmente em áreas mais reservadas. Durante trechos do samba que exaltavam Lula, um grupo de espectadores reagiu com vaias e gestos de desaprovação. Embora também houvesse apoiadores nesses espaços, as manifestações contrárias ganharam destaque e chamaram atenção pela intensidade. O momento em que Lula foi vaiado rapidamente repercutiu nas redes sociais, com vídeos mostrando o contraste entre aplausos nas arquibancadas e críticas vindas de setores mais exclusivos.
O presidente não desfilou como destaque, mas acompanhou a apresentação da escola na avenida. Ele esteve presente em um camarote ao lado do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, observando a evolução da agremiação. A simples presença de Lula no Sambódromo reforçou a dimensão política do evento e ampliou a repercussão das vaias registradas em parte do público.
A homenagem ocorre em um momento delicado do cenário político nacional. Como Lula é apontado como pré-candidato à reeleição, adversários levantaram questionamentos sobre possível promoção antecipada de campanha. A discussão envolve o limite entre manifestação cultural e promoção política, tema que costuma gerar debates em períodos que antecedem eleições. Apesar das críticas, a escola manteve o enredo e apresentou seu espetáculo conforme planejado.
O episódio evidencia como o Carnaval, além de festa popular, também pode refletir as tensões do país. O fato de Lula ter sido vaiado em parte do Sambódromo mostra que a polarização política segue presente até mesmo em eventos culturais de grande porte. Entre aplausos e críticas, o desfile da Acadêmicos de Niterói entrou para a história não apenas pela estética e pela narrativa apresentada, mas pelo impacto político que provocou na maior festa popular do Brasil.





