43 dias após o desaparecimento, caso dos irmãos de Bacabal ganha novo capítulo

Quarenta e três dias após o desaparecimento que abalou Bacabal, no interior do Maranhão, novos detalhes vieram à tona e reacenderam a angústia de familiares e moradores da região. Ágatha Isabelly, de seis anos, Allan Michael, de quatro, e o primo Anderson Kauã, de oito, sumiram no dia 4 de janeiro em uma área de mata próxima a um quilombo. Desde então, o caso mobilizou centenas de voluntários, equipes de resgate e autoridades, mas ainda segue cercado de perguntas sem respostas.
Três dias depois do desaparecimento, Anderson Kauã foi encontrado com vida. Ele estava debilitado e precisou ser encaminhado ao hospital para tratar um quadro de desidratação e desnutrição. Após alguns dias de cuidados médicos, recebeu alta e voltou para casa com a família. A prefeitura do município entregou uma nova residência aos pais do menino, gesto que simbolizou o apoio institucional diante da comoção pública.
Já Ágatha e Allan continuam desaparecidos. Até o momento, nenhum objeto pessoal, peça de roupa ou sinal concreto que indique o paradeiro das crianças foi localizado. O único indício identificado pelas equipes de busca foi o reconhecimento do cheiro dos irmãos por cães farejadores em um casebre conhecido como “casa caída”, situado em meio à vegetação. O rastro teria seguido por um trecho até próximo ao rio, onde se perdeu.
Anderson, que é diagnosticado dentro do espectro autista, conseguiu fornecer poucas informações às autoridades. Em depoimentos, afirmou que não havia outras pessoas envolvidas e que ele e os primos teriam se perdido sozinhos na mata. Segundo o relato do garoto, o último ponto em que esteve com Ágatha e Allan foi justamente na “casa caída”. Ele disse que saiu para buscar ajuda e, ao retornar, não encontrou mais os dois.
Apesar da versão apresentada, familiares das crianças questionam essa narrativa. A mãe, Clarice Cardoso, declarou que acredita que os filhos possam ter sido levados por alguém. Segundo relatos, Anderson teria mencionado a outra criança da comunidade que teria estado na garupa de uma motocicleta com um homem. Posteriormente, ao ser novamente questionado, afirmou não se lembrar desse detalhe. A inconsistência nas falas dificulta o avanço das investigações e amplia as incertezas.
Enquanto isso, as buscas que chegaram a reunir mais de mil pessoas perderam intensidade nas últimas semanas. Reportagens feitas no local mostram que a presença de equipes de segurança diminuiu consideravelmente. No último domingo (15), durante o período de Carnaval, não havia helicópteros sobrevoando a área nem grande movimentação de agentes. Apenas uma ambulância e profissionais de saúde permaneciam de plantão na comunidade.
O cenário atual causa apreensão entre moradores, que temem que o caso perca visibilidade com o passar do tempo. Mesmo diante da rotina aparentemente tranquila no povoado, familiares afirmam que não vão permitir que o desaparecimento caia no esquecimento. Quarenta e três dias depois, Bacabal segue esperando respostas. A esperança de reencontrar Ágatha e Allan permanece viva, sustentada pela mobilização da comunidade e pela cobrança por continuidade nas investigações.





