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Flávio Bolsonaro e Novo anunciam mais ações contra Lula no TSE após desfile na Sapucaí

A temperatura política subiu mesmo em pleno Carnaval. Nesta segunda-feira, 16 de fevereiro, opositores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciaram que pretendem acionar o Tribunal Superior Eleitoral por suposto uso irregular de verbas públicas durante o Carnaval do Rio de Janeiro.

O estopim foi o desfile da Acadêmicos de Niterói, que entrou na Marquês de Sapucaí com um enredo dedicado à trajetória de Lula. A escola foi a primeira a cruzar o Sambódromo na noite de domingo, diante de arquibancadas lotadas e forte cobertura da imprensa. O presidente marcou presença na avenida, acompanhando o espetáculo de perto.

O desfile revisitou momentos da vida do petista, desde o período como líder sindical no ABC Paulista até os mandatos no Palácio do Planalto. Carros alegóricos e alas representaram episódios marcantes da política brasileira recente. Entre as alegorias, uma fazia referência crítica ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o que acabou ampliando ainda mais a repercussão.

Nas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que uma ação contra o que chamou de irregularidades será protocolada rapidamente no TSE. Ele criticou o conteúdo apresentado na avenida e declarou que houve ataques pessoais e simbólicos durante o desfile.

O Partido Novo também se manifestou. A legenda informou que pretende mover uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral, conhecida como AIJE, pedindo a cassação do registro de Lula e sua inelegibilidade. Pela legislação, esse tipo de ação só pode ser formalizado quando a candidatura à reeleição for oficialmente registrada, o que deve ocorrer entre julho e agosto.

Na semana passada, o Novo já havia tentado barrar o desfile sob o argumento de propaganda eleitoral antecipada. O pedido de liminar, no entanto, foi rejeitado por unanimidade pelos ministros do TSE. Uma iniciativa semelhante apresentada pelo deputado federal Kim Kataguiri também não prosperou.

Para além do embate jurídico, o episódio reacende uma discussão antiga: até onde vai a liberdade artística das escolas de samba e onde começa a possível promoção política? Historicamente, a Sapucaí sempre foi palco de manifestações culturais com forte conteúdo social e político. Enredos sobre desigualdade, direitos civis e personagens históricos são comuns e fazem parte da tradição do Carnaval carioca.

Ao mesmo tempo, estamos em um ano pré-eleitoral, o que naturalmente amplia a sensibilidade em torno de qualquer evento que envolva figuras públicas. Especialistas em direito eleitoral costumam lembrar que é preciso comprovar de forma objetiva o uso indevido de recursos públicos para que haja sanções.

Enquanto isso, a festa segue. O Carnaval do Rio continua movimentando turismo, economia e milhões de espectadores dentro e fora do país. Na avenida, o brilho das fantasias e o ritmo das baterias disputam espaço com o noticiário político.

No fim das contas, a controvérsia mostra como cultura e política no Brasil frequentemente caminham lado a lado. Seja na avenida, seja nos tribunais, o debate deve continuar nas próximas semanas. E, como acontece em quase tudo que envolve grandes lideranças nacionais, as opiniões permanecem divididas.

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