Após desfile polêmico com rival preso, Lula se manifesta sobre homenagem na Sapucaí

O desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí continua repercutindo no cenário político nacional. Após críticas de parlamentares da oposição, o governo federal divulgou um posicionamento oficial para esclarecer questionamentos sobre a homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o Carnaval do Rio de Janeiro. A apresentação artística, que integrou o enredo da escola, foi apontada por adversários políticos como possível uso indevido do evento para fins eleitorais, gerando um novo capítulo no embate entre situação e oposição.
Em nota, o Palácio do Planalto afirmou que não houve qualquer tipo de interferência do governo na elaboração ou escolha do enredo apresentado na avenida. Segundo o comunicado, a participação da escola ocorreu dentro da normalidade democrática e respeitando as regras vigentes sobre conduta de agentes públicos. A administração federal reforçou que o Carnaval é um espaço tradicional de manifestação cultural e artística, com liberdade criativa assegurada pelas normas constitucionais.
A Secretaria de Comunicação Social destacou ainda que não houve impedimentos judiciais que barrassem a realização do desfile. De acordo com o governo, o Tribunal Superior Eleitoral negou pedidos de liminar apresentados por opositores que buscavam suspender a homenagem. Representações enviadas ao Tribunal de Contas da União também não resultaram, em um primeiro momento, na interrupção do evento. O texto oficial ressalta que os recursos públicos destinados ao Carnaval são repassados à Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), responsável pela organização do espetáculo, e não diretamente a uma agremiação específica.
Mesmo assim, o debate ganhou força após a exibição de alegorias que retratavam figuras públicas e situações políticas recentes. Um dos carros alegóricos, intitulado “Pirâmide”, trouxe representações simbólicas relacionadas ao cenário político nacional, incluindo caricaturas e referências a episódios que marcaram a trajetória recente do país. A escola defendeu que o enredo buscou apresentar uma narrativa artística e biográfica, destacando aspectos históricos e sociais associados à vida do presidente homenageado.
Nas redes sociais, o presidente Lula optou por valorizar o caráter cultural da festa. Em publicação no perfil oficial, elogiou o desempenho das escolas que desfilaram no primeiro dia e destacou a criatividade e o talento apresentados na avenida. A estratégia foi vista por aliados como uma tentativa de evitar o confronto direto com opositores, priorizando a exaltação da tradição carnavalesca e sua relevância internacional.
Por outro lado, parlamentares do Partido Liberal (PL) anunciaram que estudam novas medidas jurídicas. Segundo integrantes da legenda, a apresentação teria configurado propaganda antecipada para as eleições de 2026. A oposição argumenta que a exibição ultrapassou o limite artístico e merece análise da Justiça Eleitoral. Até o momento, no entanto, não há decisão judicial que tenha considerado irregular o desfile ou determinado qualquer sanção.
O episódio evidencia como o Carnaval, além de espetáculo cultural, também se tornou palco de disputas narrativas no campo político. Enquanto o governo sustenta que a manifestação ocorreu dentro dos parâmetros legais e democráticos, a oposição mantém o discurso de questionamento e promete acompanhar eventuais desdobramentos jurídicos. Em meio à celebração que tradicionalmente une música, história e crítica social, a Sapucaí voltou a refletir a polarização que marca o debate público brasileiro.





