Técnica de enfermagem é morta a tiros por ex “drogado e embriagado”

A noite de terça-feira, 17 de fevereiro, terminou de forma trágica na Rua Universal, no bairro Piraporinha, em Diadema. O que era para ser apenas mais um dia comum na região metropolitana de São Paulo transformou-se em mais um episódio que reacende o debate sobre violência contra a mulher no país.
A vítima foi a enfermeira Mariane Lima Alves, de 27 anos. Jovem, descrita por amigos como dedicada à profissão e apaixonada pelo filho, ela estava em casa quando o ex-companheiro, Bruno de Oliveira Zeni, apareceu no imóvel. Segundo informações iniciais da investigação, ele teria chegado alterado, sob efeito de álcool e drogas, com a intenção de buscar a criança.
Diante da situação, Mariane se recusou a entregar o filho. A decisão, compreensível para qualquer mãe, acabou gerando uma discussão. Vizinhos relataram que ouviram vozes alteradas antes dos disparos. Em questão de minutos, a conversa virou confronto. E o confronto terminou de forma irreversível.
Mariane foi atingida e não resistiu. A mãe dela, que também estava na residência, acabou ferida no rosto ao tentar intervir ou proteger a filha. Ela foi socorrida e encaminhada ao hospital. Apesar de o estado de saúde ser considerado grave, familiares informaram que ela não corre risco de morte.
O suspeito fugiu logo após o crime. De acordo com as autoridades, ele já possui histórico criminal. A Polícia Civil e a Polícia Militar realizam buscas na tentativa de localizá-lo. O caso é investigado como feminicídio e tentativa de feminicídio.
Nas redes sociais, a comoção foi imediata. Amigos, colegas de trabalho e parentes deixaram mensagens de despedida e pedidos por justiça. Um familiar publicou que o disparo atingiu o rosto da mãe de Mariane e que, apesar da gravidade, ela está fora de perigo. “Aguardamos providências das autoridades”, escreveu.
Histórias como essa, infelizmente, têm se repetido no noticiário brasileiro. Dados recentes divulgados por órgãos de segurança mostram que, mesmo com campanhas de conscientização e canais de denúncia mais acessíveis, os índices de violência doméstica ainda preocupam. Em cidades densamente povoadas como Diadema, onde bairros inteiros convivem com desafios sociais antigos, o problema ganha contornos ainda mais complexos.
Mas por trás das estatísticas existem rostos, famílias, trajetórias interrompidas. Mariane não era apenas mais um número. Era filha, mãe, profissional da saúde. Trabalhava cuidando de pessoas e, segundo conhecidos, tinha planos de crescer na carreira. A morte dela deixa um filho pequeno e uma família marcada por uma dor difícil de dimensionar.
Enquanto as buscas pelo suspeito continuam, o caso reforça a importância de medidas protetivas eficazes e de uma rede de apoio ativa para mulheres que enfrentam relacionamentos abusivos. Especialistas lembram que sinais de comportamento agressivo, uso frequente de substâncias e ameaças devem ser levados a sério.
A investigação segue em andamento. A expectativa agora é pela captura do acusado e pelo avanço do inquérito, que deve reunir depoimentos, laudos e outras provas para esclarecer todos os detalhes do ocorrido.
Em meio à tristeza, familiares se apoiam como podem. Amigos organizam homenagens discretas. E a cidade, mais uma vez, se vê diante de uma pergunta incômoda: o que ainda precisa mudar para que histórias assim deixem de fazer parte da rotina?





