Carla Perez vira alvo de críticas nas redes após episódio com segurança

A despedida de Carla Perez do tradicional trio infantil Pipoca Doce, no Carnaval de Salvador, ganhou um capítulo inesperado nas redes sociais. O que deveria ser um momento de celebração e nostalgia acabou gerando um intenso debate público. A artista foi acusada por internautas de racismo após subir nos ombros de um segurança negro durante o percurso do trio elétrico. O episódio rapidamente repercutiu, dividindo opiniões e colocando o assunto entre os mais comentados do período festivo.
A cena aconteceu enquanto Carla comandava o bloco voltado ao público infantil, conhecido por sua proposta lúdica e familiar. Para muitos foliões presentes, o gesto foi interpretado como uma forma de aproximar a artista das crianças que acompanhavam o trio. No entanto, nas redes sociais, parte dos usuários apontou que a imagem evocaria desigualdades históricas, levantando discussões sobre simbolismos e representatividade em espaços públicos, especialmente em um evento de grande visibilidade como o Carnaval de Salvador.
Diante da repercussão, Carla Perez utilizou suas plataformas digitais para se pronunciar. Em um comunicado extenso e emocionado, a cantora e dançarina afirmou que sua intenção foi exclusivamente conseguir maior proximidade com o público infantil, citando sua estatura como fator determinante para a decisão de subir nos ombros do profissional de segurança. Segundo ela, o objetivo era proporcionar um contato mais direto com as crianças e tornar a despedida do bloco ainda mais marcante.
No texto publicado, Carla destacou a importância histórica do Pipoca Doce — também conhecido como Algodão Doce — no Carnaval baiano. O trio foi pioneiro ao direcionar a folia para o público infantil, criando memórias afetivas para diferentes gerações. A artista reforçou que sempre buscou transformar sua participação no evento em uma experiência positiva, especialmente por se tratar de sua última apresentação à frente do projeto que marcou sua trajetória.
Mesmo afirmando que não houve intenção discriminatória, Carla reconheceu que determinadas imagens podem remeter a contextos sensíveis no Brasil. Em sua declaração, ela pediu desculpas a quem se sentiu desconfortável e reconheceu que o país carrega marcas profundas de desigualdade estrutural. A artista afirmou que jamais desejaria reforçar qualquer tipo de estereótipo ou mensagem que pudesse ser interpretada de forma negativa.
O caso reacendeu um debate recorrente nas redes sociais sobre responsabilidade simbólica de figuras públicas. Especialistas em comunicação apontam que, em tempos de forte engajamento digital, imagens isoladas podem ganhar interpretações diversas, muitas vezes descoladas da intenção original. Por outro lado, movimentos sociais ressaltam que o debate é importante para ampliar a conscientização sobre questões raciais e sociais, sobretudo em eventos que refletem a identidade cultural do país.
Enquanto a discussão segue nas plataformas digitais, Carla Perez encerra um ciclo importante no Carnaval de Salvador. Sua despedida do trio infantil foi marcada tanto pela emoção dos fãs quanto pelo intenso debate público. O episódio evidencia como gestos em eventos de grande visibilidade podem ultrapassar o momento festivo e provocar reflexões mais amplas sobre representatividade, simbolismo e responsabilidade social. Em meio às críticas e manifestações de apoio, permanece o diálogo sobre como figuras públicas podem contribuir para um ambiente mais sensível e consciente, especialmente em celebrações que representam a diversidade cultural brasileira.





