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A Acadêmicos de Niterói prestará uma homenagem ao presidente Lula no Carnaval do Rio de Janeiro

O Carnaval do Rio de Janeiro começa neste domingo, dia 15, com um desfile que promete repercutir muito além da Marquês de Sapucaí. A escola de samba Acadêmicos de Niterói escolheu homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e levar para a avenida um enredo que mistura memória, política e mensagens indiretas que já movimentam debates nas redes sociais. Antes mesmo de o primeiro carro alegórico cruzar a passarela, o tema já se tornou um dos mais comentados do pré-Carnaval.

Com o título Do alto do Mulungu, surge a esperança: Lula, o operário do Brasil, a agremiação decidiu contar a trajetória do presidente desde a infância no sertão de Pernambuco até a terceira eleição ao Palácio do Planalto. A proposta envolve cerca de 3 mil componentes, que devem destacar momentos marcantes como a mudança para São Paulo, a atuação como líder sindical e a fundação do Partido dos Trabalhadores. A narrativa aposta na superação pessoal e na construção de uma figura política que marcou diferentes períodos da história recente do país.

O samba-enredo, intitulado Treze noites, 13 dias, foi composto com a participação da cantora Teresa Cristina e traz referências simbólicas ao número 13, associado ao PT. A letra relembra a viagem de Lula, dona Lindu e os irmãos rumo ao Sudeste, citando as 13 noites e 13 dias de percurso. Ao mesmo tempo, a composição inclui versos que falam em saber perder, não fugir e não temer tarifas ou sanções, além de um coro que ecoa a expressão sem anistia.

Sem citar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, o samba menciona a importância de escolher heróis sem mitos falsos e rejeita a ideia de anistia. O trecho é interpretado como referência ao debate sobre a redução de penas para condenados por atos contra as instituições democráticas. No ano passado, o Congresso aprovou um projeto que tratava do tema, mas em janeiro o presidente vetou a proposta, reacendendo discussões no cenário político.

Diante da repercussão do enredo, a Globo, responsável pela transmissão dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro e de São Paulo, adotou um protocolo interno para a cobertura do evento. A emissora confirmou que exibirá os desfiles na íntegra, sem cortes, além das apurações na terça-feira, dia 17, e na quarta-feira, dia 18. No entanto, orientações foram repassadas a jornalistas, técnicos e apresentadores para evitar situações que possam ser interpretadas como manifestação político-partidária.

Entre as diretrizes, está a recomendação de que, diante de eventuais indícios de propaganda política, a transmissão priorize planos gerais das alas e alegorias na Marquês de Sapucaí. Repórteres foram orientados a manter postura sóbria ao comentar o enredo e a concentrar as entrevistas em aspectos artísticos, como fantasias e carros alegóricos. A empresa também pediu cautela ao interagir com o público, evitando abrir espaço para declarações de posicionamento político durante a exibição ao vivo.

Os apresentadores Alex Escobar, Mariana Gross, Milton Cunha e Karine Alves receberam a orientação de estudar a trajetória de Lula para contextualizar o desfile, mas sem adotar tom de empolgação ao abordar a história do presidente. A equipe de redes sociais também foi instruída a manter linguagem equilibrada nas publicações sobre a apresentação da Acadêmicos de Niterói. Com a combinação de Carnaval, política e transmissão nacional, o desfile promete ser um dos momentos mais acompanhados desta temporada e deve ampliar o debate sobre os limites entre manifestação cultural e posicionamento público na maior festa popular do país.

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