A defesa de um jovem indiciado nega que ele tenha envolvimento na morte do cão Orelha

O caso envolvendo a morte do cão comunitário Orelha, que comoveu moradores de Florianópolis e ganhou grande repercussão nas redes sociais, teve um novo desdobramento nesta semana. O Ministério Público de Santa Catarina informou que avalia a possibilidade de solicitar a exumação do corpo do animal, medida que pode aprofundar as investigações e esclarecer pontos ainda considerados sensíveis no inquérito. A sinalização do órgão reacende o debate público e mantém o assunto em evidência, especialmente diante da comoção gerada desde os primeiros relatos do ocorrido.
Segundo o Ministério Público, a 10ª Promotoria de Justiça de Florianópolis analisa detalhadamente o boletim de ocorrência circunstanciado elaborado pela Polícia Civil. O objetivo é identificar quais diligências complementares podem ser necessárias para o avanço do caso. Em nota oficial, o MP destacou que, neste momento, a exumação é apenas uma possibilidade, não uma decisão tomada. A iniciativa, caso confirmada, poderá contribuir para reforçar ou esclarecer conclusões técnicas já apresentadas anteriormente.
A Polícia Civil de Santa Catarina afirmou que irá cumprir integralmente todas as solicitações adicionais que forem encaminhadas pelo Ministério Público. De acordo com a corporação, essas diligências são fundamentais para que a denúncia possa seguir para a Justiça acompanhada de um conjunto mais robusto de provas. A polícia, no entanto, não confirmou publicamente onde o corpo de Orelha se encontra atualmente, informação que também tem sido alvo de questionamentos por parte da sociedade.
Um laudo da Polícia Científica, elaborado com base em parecer veterinário, apontou que Orelha sofreu um impacto significativo na região da cabeça. O documento técnico indica que a lesão não foi imediata e que teria ocorrido cerca de dois dias antes do atendimento veterinário. Segundo a delegada responsável pelo caso, a condição do animal evoluiu de forma desfavorável, e ele acabou não resistindo durante os cuidados médicos. A reportagem tentou contato com o veterinário responsável pelo atendimento, mas não obteve retorno.
Os detalhes do laudo foram divulgados em entrevista coletiva no dia 27 de janeiro, quando a Polícia Civil apresentou informações adicionais sobre a investigação. Conforme apurado, o episódio teria ocorrido por volta das 5h30 do dia 4 de janeiro, na região da Praia Brava, no norte da ilha de Florianópolis. O cão foi encontrado ferido por moradores da área, que acionaram ajuda e o levaram rapidamente para atendimento especializado, numa tentativa de salvá-lo.
Com a ampla repercussão do caso, diversas hipóteses passaram a circular nas redes sociais, muitas delas não confirmadas pelas autoridades. A Polícia Civil esclareceu que algumas dessas versões não encontram respaldo no laudo veterinário oficial. Paralelamente, quatro adolescentes chegaram a ser considerados suspeitos inicialmente. Ao final do inquérito, apenas um deles foi indiciado, enquanto os outros três não foram incluídos na denúncia. A polícia chegou a solicitar a internação do menor indiciado como parte das medidas adotadas.
A defesa do adolescente sustenta que não existem provas concretas que liguem o jovem ao ocorrido, como imagens ou registros diretos do momento em que o animal foi ferido. Segundo os advogados, as suspeitas se baseiam em supostas contradições no depoimento e em registros que mostram o jovem caminhando em direção à praia na madrugada do dia 4 de janeiro. A polícia também apontou atitudes consideradas atípicas por parte dos pais, como a questão envolvendo um boné rosa, enquanto a família nega qualquer tentativa de ocultação. Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, a mãe do adolescente afirmou que não havia nada a esconder e que desconhecia que tipo de material poderia ser relevante para a investigação, reforçando que confia na apuração dos fatos.





