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Abaixo-assinado contra Erika Hilton na presidência dos Direitos da Mulher chega a 100 mil assinaturas

O debate sobre representatividade na política brasileira ganhou um novo capítulo nos últimos dias. Um abaixo-assinado criado na internet pedindo que a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) não assuma a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara ultrapassou a marca de 100 mil assinaturas, segundo dados divulgados pela própria plataforma onde a petição foi publicada.

A iniciativa partiu da influenciadora digital Sophia Barclay, que ficou conhecida nas redes sociais por se definir como “trans de direita”. Na descrição do abaixo-assinado, a autora afirma que a proposta tem como objetivo abrir um debate público sobre quem deve representar as mulheres brasileiras em um espaço institucional voltado especificamente para essa pauta.

O texto da petição destaca que a manifestação é uma forma de participação democrática. “Esta petição surge como uma manifestação democrática de cidadãos que desejam abrir esse debate e pedir que a Câmara dos Deputados considere, com atenção, os critérios de representatividade e identificação com as mulheres brasileiras”, diz um trecho do documento.

Entre os comentários deixados por pessoas que assinaram o abaixo-assinado, aparecem diferentes argumentos. Uma usuária escreveu que acredita que a presidência da comissão deveria ser ocupada por alguém que tenha passado por experiências que muitas mulheres enfrentam ao longo da vida. “Precisamos que uma mulher que já sofreu com dores de parto me represente”, afirmou na plataforma.

A discussão ganhou força justamente porque, na última quinta-feira (11), a Câmara dos Deputados confirmou a eleição de Erika Hilton para presidir o colegiado em 2026. A votação ocorreu entre os parlamentares que integram a comissão. No resultado final, a deputada recebeu 11 votos favoráveis, enquanto houve 10 votos em branco.

Com isso, Hilton passou a ocupar o cargo anteriormente exercido pela deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG). A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher é responsável por discutir projetos e políticas públicas relacionadas à proteção e à promoção dos direitos das mulheres no país.

Além da presidência, o colegiado também definiu sua nova mesa diretora. Foram eleitas como vice-presidentes as deputadas Laura Carneiro (PSD-RJ), como primeira vice; Delegada Adriana Accorsi (PT-GO), como segunda vice; e Socorro Neri (PP-AC), que assumirá a terceira vice-presidência.

Apesar da eleição já confirmada, o tema continua gerando discussões dentro e fora do Congresso. Parlamentares da oposição criticaram a escolha e afirmaram que, na visão delas, a comissão deveria ser presidida por uma mulher biológica.

Uma das vozes mais críticas foi a deputada Chris Tonietto (PL-RJ). Em declaração pública, ela afirmou que discorda da decisão tomada pela comissão e defendeu que o colegiado deveria preservar aquilo que chamou de essência feminina na condução de suas pautas.

Em linha semelhante, a deputada Clarissa Tércio (PP-PE) também se posicionou contra a eleição. Segundo ela, a escolha representaria, em sua avaliação, um retrocesso na defesa de pautas voltadas às mulheres.

Por outro lado, apoiadores de Erika Hilton ressaltam que a deputada tem atuação conhecida na defesa de direitos sociais e argumentam que sua eleição seguiu as regras internas da Câmara, com votação realizada entre os membros da própria comissão.

Esse tipo de debate não é novo no cenário político brasileiro. Nos últimos anos, discussões sobre identidade, representatividade e participação política têm aparecido com frequência tanto no Congresso quanto nas redes sociais. E, como costuma acontecer em temas sensíveis, as opiniões se dividem.

Enquanto isso, a petição online segue recebendo novas assinaturas e comentários. Mesmo sem efeito direto sobre a decisão da Câmara, iniciativas desse tipo acabam refletindo o clima de opinião de parte da sociedade.

No fim das contas, o episódio mostra como as discussões sobre representação política continuam mobilizando diferentes grupos no país — um sinal claro de que a pauta ainda deve gerar conversas intensas nos próximos meses, tanto dentro do Parlamento quanto fora dele.


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