Absurdo na Folia: Pais brigam e deixam bebê de apenas 1 mês sozinho no Carnaval de Salvador

O que deveria ser apenas mais um dia de festa no circuito Osmar, no Campo Grande, em Salvador, terminou com uma cena que chocou foliões e mobilizou autoridades. Um bebê de apenas um mês de vida foi encontrado sozinho nas proximidades da Praça da Piedade, na manhã do último domingo (15), em meio à movimentação intensa do Carnaval. A criança, que estava exposta em uma área de grande circulação, foi resgatada e recebeu atendimento imediato. O caso ganhou repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre vulnerabilidade social e proteção à infância.
De acordo com informações repassadas pela Defensoria Pública do Estado da Bahia, a criança teria sido deixada no local após uma discussão entre os pais, um casal em situação de rua. Testemunhas relataram que, durante o desentendimento, ambos precisaram de atendimento médico. Em meio à confusão, o bebê acabou ficando sozinho na via pública, cenário que rapidamente chamou a atenção de pessoas que passavam pelo local. A cena causou indignação e preocupação entre quem acompanhava a festa.
Após serem atendidos em uma unidade de saúde, os pais foram presos em flagrante. O caso passou a ser acompanhado pelas autoridades competentes, que agora apuram as circunstâncias da ocorrência. A criança foi acolhida pela Defensoria Pública e encaminhada para avaliação médica na segunda-feira (16). Segundo o órgão, o atendimento teve caráter preventivo, para garantir que não houvesse qualquer complicação decorrente da exposição prolongada em ambiente de grande aglomeração.
Em nota, a Defensoria explicou que os pais já eram assistidos pelo Núcleo de Defesa da População em Situação de Rua (Núcleo Pop Rua), que acompanha famílias em condição de vulnerabilidade social. O órgão destacou que a situação evidencia a complexidade do problema enfrentado por pessoas que vivem nas ruas, especialmente quando há crianças envolvidas. A instituição reforçou que seguirá monitorando o caso e prestando o suporte necessário, dentro de suas atribuições legais.
O episódio levanta questionamentos importantes sobre políticas públicas voltadas à proteção da infância e ao atendimento de famílias em situação de rua. Especialistas ouvidos por entidades sociais afirmam que o Carnaval amplia a exposição de pessoas vulneráveis, tanto pela intensa movimentação quanto pela dificuldade de acesso a serviços durante o período festivo. Em meio à celebração, histórias como essa revelam uma realidade que muitas vezes passa despercebida.
Nas redes sociais, o caso gerou forte comoção. Internautas cobraram respostas rápidas das autoridades e medidas que garantam a segurança da criança. Ao mesmo tempo, houve manifestações pedindo atenção para a situação de pobreza extrema enfrentada por milhares de famílias no país. A discussão ganhou amplitude e trouxe à tona a necessidade de integração entre assistência social, saúde e políticas de moradia.
Enquanto as investigações seguem em andamento, a prioridade, segundo os órgãos responsáveis, é assegurar o bem-estar do bebê. A criança permanece sob acompanhamento, e o futuro da guarda será definido conforme os desdobramentos legais e avaliações técnicas. O caso, que começou como um susto em meio à folia, transforma-se agora em um alerta sobre a urgência de fortalecer redes de proteção e garantir que nenhuma criança fique desamparada, independentemente das circunstâncias.





