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Acidente com carro alegórico da União de Maricá deixa feridos graves no Carnaval do Rio 2026

Na madrugada deste domingo, 15 de fevereiro de 2026, o desfile da União de Maricá na Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro foi marcado por um trágico incidente na Marquês de Sapucaí. O último carro alegórico da escola de samba, ao tentar manobrar rapidamente para evitar ultrapassar o tempo limite de apresentação, perdeu o controle na altura do Setor 12, próximo à área de dispersão. O veículo avançou contra a grade de proteção lateral da avenida, prensando e atropelando três pessoas que estavam na pista, transformando o momento de celebração em cenas de pânico e desespero entre os componentes e o público.

O acidente ocorreu por volta das 3h da manhã, quando a escola já havia estourado o cronômetro de desfile em cerca de 57 minutos, o que pode render uma punição de 0,2 ponto na apuração final. Testemunhas relatam que o carro, uma imponente estrutura adornada com elementos temáticos do enredo da agremiação, saiu do eixo durante a retirada apressada das plataformas elevadas, colidindo violentamente com a barreira metálica. O impacto foi tão forte que deformou parte da grade, e gritos ecoaram pela avenida enquanto socorristas corriam para o local, sob as luzes piscantes da transmissão ao vivo.

Entre as vítimas, destaca-se Itamar de Oliveira, um funcionário de 65 anos da própria escola, integrante da equipe de apoio logístico. Ele sofreu uma fratura exposta grave nas pernas, com lesões vasculares que demandaram intervenção cirúrgica imediata. Levado de ambulância para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro do Rio, Itamar foi estabilizado na emergência e submetido a um procedimento para reparar os danos ósseos e teciduais. Sua condição é considerada estável, mas o quadro ainda inspira preocupação entre familiares e colegas, que o descrevem como um pilar dedicado à tradição do samba.

As outras duas vítimas, também ligadas à equipe da União de Maricá, apresentaram ferimentos menos graves, como entorses e lesões superficiais nos membros inferiores. Elas foram atendidas no local pelos paramédicos do Sambódromo e, após exames complementares, receberam alta médica nas horas seguintes. O rápido acionamento do serviço de emergência evitou complicações maiores, mas o episódio expôs a vulnerabilidade dos trabalhadores invisíveis por trás dos holofotes, aqueles que montam e desmontam as alegorias sob pressão constante.

A direção da União de Maricá emitiu uma nota oficial de solidariedade logo após o ocorrido, manifestando apoio irrestrito às vítimas e se comprometendo a cobrir todas as despesas médicas e de reabilitação. A escola, que homenageou em seu enredo as belezas e lutas da cidade de Maricá, completou o desfile apesar do trauma, mas o incidente ofuscou o brilho artístico da apresentação. Integrantes relataram um clima de luto misturado a determinação, com muitos questionando as condições de segurança nas manobras finais da avenida.

Este não é o primeiro episódio de risco envolvendo carros alegóricos na Sapucaí, onde a pressão por prazos apertados e a complexidade das estruturas mecânicas frequentemente colidem com a efervescência do carnaval. Autoridades da Liesa, organizadora dos desfiles, anunciaram uma investigação preliminar para apurar possíveis falhas técnicas ou operacionais, reforçando protocolos de dispersão que incluem treinamentos obrigatórios para motoristas e equipes de solo. O caso reacende debates sobre investimentos em infraestrutura, como grades mais resistentes e sistemas de freio redundantes, essenciais para preservar vidas em meio à festa.

Enquanto o Rio segue com os desfiles da Elite, a recuperação de Itamar e das outras vítimas torna-se o foco principal. A União de Maricá, com sua raiz comunitária, promete transformar essa adversidade em lição de resiliência, unindo a comunidade em orações e apoio. O carnaval, símbolo de superação, prossegue, mas com um lembrete doloroso de que, por trás das plumas e paetês, há histórias humanas que demandam cuidado redobrado.

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