Adolescente é encontrada morta após mais de dois meses amarrada e torturada pelo pai

A morte da adolescente Marta Isabelle dos Santos Silva, de apenas 16 anos, trouxe uma onda de tristeza e perplexidade em Porto Velho. O caso, registrado na zona leste da cidade, expôs uma realidade difícil de compreender e levantou questionamentos profundos sobre convivência familiar, responsabilidade e sinais que, muitas vezes, passam despercebidos por quem está ao redor.
Marta Isabelle foi encontrada sem vida dentro da própria casa, localizada no bairro Jardim Santana, no início da noite de terça-feira, 24 de fevereiro. O cenário chamou a atenção das autoridades não apenas pelas circunstâncias, mas também pelas informações contraditórias apresentadas desde o primeiro momento. A adolescente estava deitada em uma cama, coberta por um lençol, em condições que indicavam um longo período de fragilidade física e abandono de cuidados básicos.
A madrasta, Ivanice Farias de Souza, afirmou inicialmente que a jovem havia retornado para casa naquela mesma manhã, depois de meses fora. Segundo ela, Marta Isabelle teria chegado a pé, visivelmente debilitada. Mesmo assim, não houve solicitação imediata de atendimento médico especializado. Em vez disso, foram adotadas medidas improvisadas, como o uso de medicamentos informais e fraldas descartáveis. Essa decisão, por si só, já despertou questionamentos entre os investigadores.
Com o avanço da apuração, surgiram novos elementos que tornaram o caso ainda mais delicado. No terreno da residência, os policiais encontraram uma pequena fogueira contendo roupas e fraldas parcialmente queimadas. A quantidade desses materiais indicava que a jovem poderia estar naquela condição há mais tempo do que foi inicialmente relatado.
Moradores da vizinhança também contribuíram com relatos importantes. Alguns disseram que não viam Marta Isabelle havia meses. Durante esse período, explicações vagas eram dadas, como viagens ou permanência em outros locais. Esse tipo de justificativa, aparentemente comum, acabou ocultando uma situação muito mais grave.
O ponto mais impactante da investigação foi a confissão do pai, Callebe José da Silva. Ele admitiu que a filha não estava desaparecida, como havia sido dito anteriormente. Segundo seu próprio relato, a adolescente permaneceu dentro da residência durante todo esse período. Ele afirmou que adotava medidas de restrição durante a noite, mantendo a jovem presa à cama com fios elétricos, alegando que tentava evitar que ela fugisse novamente.
Essa revelação causou forte comoção na comunidade local. Em bairros residenciais, onde a rotina costuma ser tranquila e previsível, situações assim quebram a sensação de normalidade. Muitos vizinhos disseram estar em choque ao saber o que acontecia tão perto de suas casas.
Especialistas costumam destacar que casos como esse reforçam a importância de observar mudanças bruscas no comportamento ou desaparecimento repentino de jovens. Escolas, familiares, vizinhos e até conhecidos ocasionais podem ter papel essencial ao perceber sinais de alerta e buscar ajuda adequada.
Nos últimos anos, o Brasil tem ampliado campanhas de conscientização sobre proteção de crianças e adolescentes, especialmente em ambientes familiares. O tema ganhou ainda mais visibilidade após diversos casos que repercutiram nacionalmente e motivaram debates sobre prevenção e responsabilidade coletiva.
A polícia concluiu que havia indícios claros de participação de mais de uma pessoa na situação. O pai, a madrasta e a avó foram encaminhados ao Departamento de Flagrantes e permanecem à disposição da Justiça. O caso segue sob investigação, e novas informações poderão esclarecer todos os detalhes.
Enquanto isso, a história de Marta Isabelle deixa um alerta silencioso, mas poderoso. Mais do que números ou registros oficiais, trata-se de uma vida interrompida cedo demais — e de uma comunidade que agora tenta entender como algo assim pôde acontecer sem que ninguém percebesse a tempo.





