Alcolumbre estaria decidido a suspender quebra de sigilo de Lulinha

Brasília acordou diferente na quinta-feira (26). O que parecia ser apenas mais uma sessão tensa da CPMI do INSS acabou virando combustível para uma crise política que atravessou a Praça dos Três Poderes e foi parar diretamente na residência oficial do presidente do Senado. O motivo: uma votação simbólica que terminou sob suspeita.
No centro da turbulência está Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo relatos de bastidores, ele já teria sinalizado a aliados do Palácio do Planalto que deve anular a decisão que aprovou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A razão é grave: indícios de falha ostensiva na contagem de votos.
A cena aconteceu durante a análise de um chamado “pacotão” de requerimentos. O procedimento era simbólico, daqueles em que não há painel eletrônico nem registro individual. Funciona assim: quem concorda permanece sentado; quem discorda se levanta. Simples, direto, visual.
Mas o que era para ser simples virou confusão.
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da comissão e alinhado à ala bolsonarista, declarou aprovado o requerimento que incluía a quebra de sigilo. O problema é que, segundo parlamentares da base governista, o cenário no plenário mostrava o oposto: a maioria estava de pé, indicando rejeição.
Minutos depois, o clima esquentou. A sessão terminou em discussão acalorada, troca de acusações e muita irritação. Não demorou para que uma comitiva liderada pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS) fosse até a residência oficial de Alcolumbre pedir revisão do resultado.
Pimenta afirmou que não se tratou de erro de interpretação. Para ele, houve uma manobra deliberada. As imagens da própria TV Senado e vídeos gravados por celulares passaram a circular entre gabinetes e grupos de mensagens. Os números citados impressionam: sete parlamentares sentados a favor da quebra; quatorze de pé contra.
A pergunta ecoou pelos corredores do Congresso: como uma diferença visual tão clara teria sido ignorada?
Nos bastidores, o movimento foi rápido. Alcolumbre orientou que a contestação fosse formalizada com todo o material anexado. A Advocacia do Senado, a Polícia Legislativa e a Secretaria-Geral da Mesa analisaram os registros. O parecer técnico, segundo fontes ouvidas, aponta para inconsistências no rito.
Embora a decisão final ainda dependa de trâmites regimentais, o clima é de que a anulação se tornou o caminho mais provável. Não apenas pelo caso específico, mas para preservar a credibilidade das votações simbólicas — instrumento comum no dia a dia do Legislativo.
Paralelamente, Paulo Pimenta confirmou que pretende acionar o Conselho de Ética contra Carlos Viana. O argumento é direto: seria improvável não perceber uma maioria visivelmente de pé.
O episódio reacende um debate antigo em Brasília sobre a fragilidade das votações simbólicas em temas sensíveis. Em tempos de polarização intensa e redes sociais amplificando cada movimento, qualquer dúvida sobre transparência ganha proporção nacional em minutos.
Agora, os olhos se voltam para o anúncio oficial de Alcolumbre. Caso a anulação seja confirmada, o processo retorna ao estágio anterior, impondo uma derrota técnica à articulação que havia conseguido aprovar o requerimento.
No fim das contas, mais do que um embate entre governo e oposição, o episódio expõe como detalhes regimentais podem desencadear crises políticas de grande porte. Em Brasília, às vezes, basta um gesto — sentado ou de pé — para mudar o rumo da história.





