Amiga de mulher arrastada na Marginal Tietê também morre vítima de feminicídio

A segunda-feira, 23 de fevereiro, começou como qualquer outro dia comum em São Paulo. Trânsito intenso, gente correndo contra o relógio, buzinas ao fundo. Mas, em meio a essa rotina tão conhecida, uma notícia trouxe tristeza e indignação. Uma jovem de apenas 22 anos, cheia de planos e responsabilidades, teve sua vida interrompida de forma inesperada. O caso rapidamente mobilizou autoridades e reacendeu uma discussão que, infelizmente, ainda é muito atual no Brasil.
A vítima foi Priscila Versão, mãe de três crianças. Segundo a Polícia Militar, o principal suspeito é o próprio marido, Deivit Pereira, de 35 anos, que foi preso após apresentar uma versão considerada inconsistente pelas autoridades. Ele afirmou que encontrou a esposa passando mal e tentou socorrê-la, mas a equipe médica identificou sinais claros de agressão, o que levantou suspeitas imediatas.
De acordo com as primeiras apurações, o casal havia saído junto para um bar onde acontecia uma apresentação de pagode — algo comum, especialmente nas noites quentes da capital paulista. Testemunhas relataram que houve uma discussão entre os dois no local. Depois disso, o clima ficou tenso. O que deveria ser apenas um desentendimento acabou tomando proporções irreversíveis.
Ainda conforme a investigação, o suspeito disse que saiu para comprar gasolina, alegando estar emocionalmente abalado. Ao retornar, afirmou ter encontrado Priscila desacordada. No entanto, essa versão não convenceu os investigadores, que passaram a analisar os fatos com mais cautela. O caso agora segue sob responsabilidade da Polícia Civil, que busca esclarecer todos os detalhes.
Mas o que torna essa história ainda mais marcante é um detalhe que poucos conseguem ignorar: Priscila era amiga próxima de Tainara Sousa Santos, outra jovem que também teve sua vida interrompida no ano passado, em um episódio que gerou grande repercussão nacional.
O caso de Tainara aconteceu na Marginal Tietê, uma das vias mais movimentadas da cidade. Após um desentendimento com o então companheiro, Douglas Alves da Silva, ela foi gravemente ferida e permaneceu internada por semanas no Hospital das Clínicas. Durante esse período, enfrentou diversas cirurgias e um longo processo de tratamento. Infelizmente, não resistiu às complicações.
Histórias como essas causam um impacto que vai além das estatísticas. Elas têm rosto, têm nome, têm família. São mães, filhas, amigas. Pessoas que estavam inseridas no cotidiano, que faziam planos simples, como cuidar dos filhos, trabalhar e seguir em frente.
Nos últimos meses, o tema da proteção às mulheres voltou ao centro das discussões no Brasil. Campanhas de conscientização, debates nas redes sociais e ações governamentais têm buscado reforçar a importância da denúncia e do apoio às vítimas. O número 180, por exemplo, continua sendo um canal essencial para quem precisa de ajuda ou orientação.
Apesar dos avanços, os desafios ainda são grandes. Muitos casos acontecem longe das câmeras, em silêncio, dentro de casa. Por isso, especialistas reforçam a importância de observar sinais, oferecer apoio e nunca ignorar pedidos de ajuda.
No caso de Priscila, amigos relatam que ela era uma pessoa dedicada à família e muito querida por todos ao redor. Sua partida deixa um vazio difícil de explicar, especialmente para seus filhos, que agora crescem com a ausência da mãe.
Enquanto a Justiça segue seu curso, fica também um sentimento coletivo de reflexão. Cada história como essa serve de alerta. Mais do que números, são vidas que mereciam continuar escrevendo seus próprios capítulos.
E talvez seja isso que mais pesa: a sensação de que, por trás de cada notícia, existia alguém que só queria viver em paz.





