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Após confrontar Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira ameaça deixar PL e barra Eduardo Cunha

As recentes movimentações de Nikolas Ferreira (PL-MG) têm exposto, de forma cada vez mais clara, as rachaduras internas do Partido Liberal. O deputado mineiro, que ganhou projeção nacional principalmente pelas redes sociais, agora vive um momento de tensão com a cúpula da sigla e com figuras influentes do próprio campo político que ajudou a consolidar nos últimos anos.

O estopim da crise veio após atritos públicos com Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Em entrevistas e declarações recentes, Nikolas deixou evidente o incômodo com o que considera tentativas de descredibilizar sua atuação política. Segundo ele, há uma cobrança constante por alinhamento e apoio irrestrito, algo que afirma não aceitar. A frase “não vou sair dando confete para quem está me pressionando” virou símbolo desse embate e circulou amplamente em portais e redes sociais ao longo da última semana.

Nos bastidores, o desconforto vai além da troca de farpas. Nikolas estaria insatisfeito com a estratégia do comando nacional do PL de ampliar o número de filiações, especialmente de políticos com mandato ou potencial eleitoral. De acordo com informações divulgadas pela Rádio Itatiaia, o deputado não concorda com a entrada de nomes que, na visão dele, não compartilham dos mesmos valores. Entre os vetos atribuídos a Nikolas está o de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, hoje no Republicanos e cotado para disputar uma vaga por Minas Gerais.

A lista de restrições incluiria ainda deputados de outras siglas e até parlamentares do próprio PL mineiro, como Rosângela Reis, que costuma votar em pautas do governo federal, a exemplo do programa Gás do Povo. Esse posicionamento levou Nikolas a marcar uma reunião com Valdemar da Costa Neto e com o presidente estadual do partido, Domingos Sávio. A conversa, segundo aliados, pode resultar em um ultimato: ou o partido recua, ou ele avalia a saída da legenda.

Enquanto as disputas internas ganham espaço, outro ponto tem sido levantado por analistas e levantamentos recentes: a atuação legislativa do deputado. Em três anos de mandato, Nikolas conseguiu aprovar apenas um projeto de lei, e ainda assim de autoria coletiva, com a assinatura de outros 64 parlamentares. A proposta tratou do auxílio emergencial para os setores de turismo e cultura do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024. Dados da Câmara dos Deputados mostram que, entre os mineiros, ele aparece apenas na 14ª posição em número de proposições apresentadas desde 2023.

O contraste entre visibilidade digital e resultados no Congresso volta ao debate sempre que o nome do deputado aparece em polêmicas. Foi o caso recente da votação da Medida Provisória que criou o programa Gás do Povo. Nikolas votou contra a proposta, o que gerou críticas em Minas Gerais, inclusive durante uma homilia em Caratinga. A repercussão levou a Diocese local a divulgar uma nota de retratação, buscando acalmar os ânimos e reforçar a importância do respeito ao diálogo.

No fim das contas, o episódio revela um momento delicado não apenas para Nikolas Ferreira, mas para o próprio PL. Entre disputas internas, cobranças por lealdade e questionamentos sobre produtividade, o partido enfrenta o desafio de manter unidade em um cenário político cada vez mais fragmentado. Resta saber se o deputado mineiro optará pelo confronto até as últimas consequências ou se haverá espaço para acomodação antes das eleições que se aproximam.

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