Após tragédia em Juiz de Fora, Inmet faz novo alerta: “grande perigo”

A região da Zona da Mata em Minas Gerais foi devastada por um temporal histórico entre os dias 23 e 24 de fevereiro de 2026, resultando em pelo menos 23 mortes confirmadas pelas autoridades. As chuvas intensas, que ultrapassaram recordes históricos em algumas localidades, causaram enchentes generalizadas, deslizamentos de terra e soterramentos, transformando ruas em rios e isolando comunidades inteiras. Esse evento climático extremo destacou a vulnerabilidade de áreas urbanas e rurais diante de fenômenos cada vez mais frequentes, impulsionados por mudanças climáticas globais.
Em Juiz de Fora, a cidade mais afetada, foram registradas 16 vítimas fatais, com o volume acumulado de chuva alcançando impressionantes 584 milímetros ao longo do mês, o maior já documentado na história local. A prefeitura decretou estado de calamidade pública, mobilizando recursos emergenciais para resgates e assistência. Bairros inteiros foram inundados, com casas destruídas e infraestrutura comprometida, incluindo pontes e vias de acesso, o que complicou as operações de socorro e deixou centenas de famílias sem moradia.
Na vizinha Ubá, sete mortes foram confirmadas, agravadas por uma inundação rápida que elevou o nível do rio local a mais de sete metros em poucas horas. A precipitação de cerca de 170 milímetros em um curto período provocou danos severos em áreas comerciais e residenciais, afetando serviços essenciais como energia elétrica e abastecimento de água. Moradores relataram cenas de caos, com veículos arrastados pela correnteza e bens pessoais perdidos em meio ao lamaçal.
O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais atuou incansavelmente nas buscas por dezenas de desaparecidos, estimados em torno de 47 pessoas, utilizando equipes especializadas em resgates aquáticos e drones para mapear áreas de risco. O governador do estado, Romeu Zema, manifestou solidariedade às famílias afetadas e coordenou esforços com o governo federal para liberação de verbas emergenciais. Voluntários e organizações civis também se mobilizaram, distribuindo alimentos, roupas e abrigos temporários para mais de 440 desabrigados.
Diante da persistência das condições adversas, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um novo alerta vermelho, classificado como de “grande perigo”, para acumulados elevados de chuva em diversas regiões do Sudeste. Esse aviso, válido até o dia 27 de fevereiro, alerta para precipitações que podem exceder 60 milímetros por hora ou 100 milímetros por dia, acompanhadas de ventos fortes de até 100 quilômetros por hora. O foco é prevenir novos desastres em zonas já saturadas de umidade.
O alerta se estende além de Minas Gerais, abrangendo centenas de municípios no Rio de Janeiro, Espírito Santo, partes de São Paulo e até o sul da Bahia, onde o risco de alagamentos, transbordamentos de rios e quedas de barreiras é iminente. Meteorologistas atribuem essa sequência de eventos a um padrão atmosférico instável, com frentes frias e umidade amazônica convergindo para o Sudeste, o que pode prolongar o período chuvoso e intensificar os impactos socioeconômicos na região.
Para mitigar futuros riscos, especialistas recomendam que moradores de áreas vulneráveis monitorem alertas oficiais da Defesa Civil e evitem regiões de encosta ou próximas a cursos d’água durante períodos de chuva intensa. Esse episódio serve como um lembrete urgente da necessidade de investimentos em infraestrutura resiliente e planejamento urbano sustentável, visando proteger vidas e minimizar danos em um contexto de eventos climáticos cada vez mais imprevisíveis.



