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Avó “vendia” três netas menores para piloto de avião preso em SP

A prisão do piloto Sérgio Antônio Lopes, ocorrida na manhã desta segunda-feira (9), trouxe novos detalhes a uma investigação que vem mobilizando autoridades e despertando forte atenção pública. Segundo a Polícia Civil, o suspeito estaria envolvido em um esquema estruturado de exploração de crianças e adolescentes, com indícios de atuação contínua e articulada ao longo do tempo. O caso ganhou repercussão não apenas pela gravidade das suspeitas, mas também pelo perfil do investigado e pela forma como as apurações avançaram.

De acordo com os investigadores, Sérgio Antônio Lopes teria mantido contato com uma mulher de 55 anos, também presa, que seria responsável por intermediar o acesso a três netas, atualmente com 10, 12 e 14 anos. As informações apuradas indicam que a relação era mediada por repasses financeiros e acordos informais, o que levantou suspeitas de negociação ilegal envolvendo menores. A polícia apura ainda o uso de documentos falsos, que teriam sido utilizados para frequentar estabelecimentos e ocultar a verdadeira identidade do suspeito.

A investigação também aponta para a participação direta de familiares das vítimas. A mãe de uma das crianças foi presa em flagrante, acusada de enviar registros da própria filha ao piloto em troca de pagamentos. Para os investigadores, esse elemento reforça a complexidade do caso e evidencia como vínculos familiares podem ser explorados em esquemas desse tipo, dificultando a identificação precoce das práticas e ampliando o número de pessoas envolvidas.

A ação desta segunda-feira faz parte da Operação Apertem os Cintos, conduzida pela Polícia Civil com o objetivo de desarticular uma organização suspeita de atuar na exploração de crianças e adolescentes. O trabalho mobilizou 32 policiais civis e 14 viaturas, com diligências simultâneas para cumprimento de mandados e coleta de provas. A escolha do nome da operação faz referência direta ao ambiente profissional do principal investigado e à estratégia adotada para surpreender os envolvidos.

Segundo as autoridades, os fatos investigados envolvem uma série de práticas ilegais, como favorecimento da exploração de menores, uso de identidade falsa, produção e compartilhamento de conteúdos impróprios, além de ações de aliciamento e intimidação. A polícia destaca que o conjunto dessas condutas demonstra um padrão de repetição e organização, o que fortalece a linha de investigação sobre a existência de uma rede estruturada, com divisão de funções entre os participantes.

As apurações indicam ainda que o grupo atuava de forma coordenada, com indícios de habitualidade e planejamento. A análise de dispositivos eletrônicos apreendidos, como celulares e computadores, é considerada fundamental para identificar outros possíveis envolvidos e mapear a extensão do esquema. A Polícia Civil não descarta que novas vítimas sejam reconhecidas ao longo da investigação, inclusive fora do estado de São Paulo.

Diante da gravidade dos indícios, as autoridades afirmam que o trabalho investigativo seguirá em ritmo intenso nos próximos dias. Novas prisões podem ocorrer, à medida que as provas forem analisadas e conexões forem estabelecidas. O caso reacende o debate sobre a importância da vigilância, da denúncia e da atuação integrada das instituições para proteger crianças e adolescentes, além de reforçar a necessidade de responsabilização rigorosa de todos os envolvidos em práticas que atentem contra a dignidade e os direitos dos menores.

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