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Bolsonaro recebeu 144 atendimentos médicos em apenas 39 dias

O ex-presidente Jair Bolsonaro passou por 144 atendimentos médicos entre os dias 15 de janeiro e 22 de fevereiro deste ano, período de 39 dias, o que representa uma média próxima de quatro atendimentos por dia. Os dados constam em relatório elaborado pela direção do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, unidade onde o ex-presidente cumpre pena. O documento serviu de base para a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou o pedido de prisão domiciliar humanitária apresentado pela defesa.

A perícia reconheceu que Bolsonaro é portador de múltiplas doenças crônicas, entre elas hipertensão arterial, apneia grave do sono, obesidade, aterosclerose e refluxo gastroesofágico. Apesar disso, o laudo concluiu que, no momento, não há necessidade de transferência para ambiente hospitalar. Segundo Moraes, embora o quadro clínico seja classificado como de alta complexidade, as condições apresentadas estão sob controle clínico e medicamentoso, não justificando a concessão de regime domiciliar por razões de saúde.

O relatório detalha ainda a rotina do ex-presidente no período analisado. Foram registradas 33 caminhadas, 13 sessões de fisioterapia realizadas por profissional particular, além de 36 visitas no total, incluindo 29 dias de atendimento de advogados. Também houve quatro atendimentos de capelania e acompanhamento do médico particular, Dr. Brasil Caiado. A documentação ressalta que Bolsonaro mantém contato regular com familiares, como esposa, filhos, filha e enteada, sem necessidade de novas autorizações judiciais para essas visitas.

De acordo com o laudo, Bolsonaro relata dormir por volta das 22h e acordar às 5h, embora costume se levantar apenas às 8h. Pela manhã, dedica-se à leitura. Em janeiro, o STF autorizou que ele pudesse ler livros para remição de pena, dentro da ação relacionada à tentativa de ruptura institucional. Entre as obras mencionadas estão Ainda Estou Aqui, de Marcelo Rubens Paiva, e Democracia, de Philip Bunting. À tarde, o ex-presidente assiste a programas esportivos, conversa com agentes responsáveis pela guarda externa e realiza caminhada diária de aproximadamente um quilômetro.

O documento médico descreve o ex-presidente em bom estado geral, lúcido, orientado no tempo e no espaço, com memória preservada. Também aponta melhora significativa na qualidade do sono após o início do uso de aparelho CPAP para tratamento da apneia obstrutiva. Em relação ao refluxo, embora faça uso contínuo de medicação, os peritos observaram que hábitos como repousar logo após as refeições e ausência de controle de peso interferem na eficácia do tratamento.

A estrutura da unidade prisional também foi destacada na decisão. Apesar de não possuir ambulatório próprio, o batalhão conta com médico designado em parceria com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, além de uma Unidade de Saúde Avançada do SAMU com enfermeiro em plantão 24 horas. Atendimentos ambulatoriais podem ser realizados no Centro de Internação e Reeducação (CIR), a cerca de três quilômetros da unidade. Segundo o laudo, as condições oferecidas atendem às necessidades clínicas do ex-presidente.

Ao negar o pedido de prisão domiciliar, Moraes ressaltou que a medida é excepcional e exige comprovação de que o tratamento médico não possa ser realizado no ambiente prisional, o que não foi constatado. O ministro também mencionou o número expressivo de visitas de parlamentares, governadores e aliados políticos como indicativo de preservação das condições físicas e mentais do apenado. Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado, e a decisão reforça que, segundo os elementos apresentados, não há fundamento jurídico ou médico para alteração do regime neste momento.

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