Cantor não gostou de ver o presidente ser vaiado por algumas pessoas durante o desfile de Carnaval

O desfile da Acadêmicos de Niterói na noite deste domingo 15 transformou a Marquês de Sapucaí em palco de um dos momentos mais comentados do Carnaval deste ano. Primeira escola a entrar na avenida pelo Grupo Especial, a agremiação levou para a avenida o enredo Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil, uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A apresentação rapidamente ultrapassou os limites da festa e ganhou dimensão nacional nas redes sociais e no debate político.
A proposta da escola foi contar a trajetória de Lula desde 1952, destacando sua origem humilde, a infância no Nordeste e a ascensão como líder sindical até chegar à Presidência da República. Com alegorias grandiosas, fantasias detalhadas e um samba que exaltava a figura do operário que se tornou chefe de Estado, a Acadêmicos apostou em uma narrativa biográfica que misturou emoção e posicionamento histórico. O resultado foi uma reação imediata do público presente no Sambódromo.
No Setor 1, tradicionalmente ocupado por torcedores mais populares, o clima foi de apoio declarado. O coro de Olé, olé, olá, Lula, Lula ecoou com intensidade, sem registro de vaias naquele espaço, segundo relatos de quem acompanhou a passagem da escola. Já em áreas de camarotes, especialmente em um espaço ligado a uma cervejaria, houve manifestações divergentes, com parte do público demonstrando desaprovação e até vaiando o presidente, enquanto outro grupo respondia com gestos de apoio.
A repercussão não ficou restrita à avenida. Nas redes sociais, o cantor Diego Nicolau, um dos intérpretes da escola, comentou uma publicação que destacava a reação dividida do público e saiu em defesa do enredo e do presidente. A declaração do artista rapidamente se espalhou e ampliou o alcance do episódio, colocando o desfile entre os assuntos mais comentados do dia.
O presidente Lula não desfilou como integrante de ala, mas acompanhou a apresentação da escola diretamente da avenida, ao lado do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. A presença do chefe do Executivo no local também chamou atenção, reforçando o simbolismo da homenagem em pleno ano pré eleitoral. Imagens do momento circularam amplamente, consolidando o desfile como um dos mais repercutidos da abertura do Carnaval carioca.
A escolha do enredo também provocou questionamentos de oposicionistas, que levantaram a hipótese de propaganda eleitoral antecipada, já que Lula é apontado como pré candidato à reeleição. Críticos afirmaram que a homenagem poderia ser interpretada como estratégia de promoção política em um evento de grande visibilidade. Por outro lado, defensores argumentaram que as escolas de samba historicamente abordam temas sociais e políticos, exercendo liberdade artística.
Enquanto o debate segue nas redes e nos bastidores da política, a Acadêmicos de Niterói consolida sua passagem pela Sapucaí como um dos desfiles mais comentados desta temporada. A mistura entre cultura popular, trajetória presidencial e polarização refletiu o momento atual do país e mostrou que o Carnaval continua sendo espaço de expressão e disputa simbólica. O impacto da apresentação ainda deve render novos capítulos nos próximos dias, tanto no universo do samba quanto no cenário político nacional.





