Chega notícia sobre o deputado Nikolas Ferreira

O deputado federal Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, tem sido uma figura proeminente na política brasileira, especialmente entre os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Recentemente, ele convocou uma manifestação em forma de “buzinaço” para o dia 20 de fevereiro de 2026, em Belo Horizonte, com o objetivo de protestar contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros do Supremo Tribunal Federal, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Essa iniciativa, no entanto, gerou uma onda de críticas internas de uma ala bolsonarista, que questiona as prioridades do parlamentar e o acusa de desviar o foco de pautas mais urgentes para o movimento.
A convocação foi feita por meio das redes sociais de Nikolas, onde ele incentivou não apenas a participação em Belo Horizonte, na Avenida Cristiano Machado a partir das 17h, mas também ações semelhantes em outros estados. O protesto é descrito como uma forma pacífica de expressão, combinando buzinaço com adesivaço, visando denunciar o que o deputado chama de abusos de poder e ameaças à democracia por parte do governo atual e do Judiciário. Essa mobilização surge em um contexto de tensão política crescente, com o bolsonarismo buscando manter sua relevância após as eleições de 2022.
Apesar do apelo à unidade da direita, a resposta não foi unânime. Muitos bolsonaristas radicais expressaram descontentamento, argumentando que o foco no buzinaço ignora questões centrais, como a anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Esses críticos veem a iniciativa como insuficiente para abordar o sofrimento de apoiadores presos ou condenados, priorizando em vez disso ataques genéricos ao governo Lula, sem menção explícita à defesa de Bolsonaro, que enfrenta suas próprias batalhas judiciais.
As críticas se espalharam rapidamente nas redes sociais, com comentários acusando Nikolas de buscar protagonismo pessoal em detrimento da coesão do grupo. Frases como “Nikolas convocou? Então eu não vou” e acusações de narcisismo ou traição ao bolsonarismo raiz ganharam tração em perfis alinhados à extrema-direita. Essa divisão reflete uma tensão mais ampla dentro do movimento, onde disputas por liderança e estratégias divergem, com alguns defendendo ações mais radicais e outros optando por protestos simbólicos.
No cerne das reclamações está a percepção de que Nikolas estaria se “descolando” do núcleo bolsonarista para construir uma imagem independente, possivelmente visando futuras eleições. Críticos apontam que, enquanto famílias de envolvidos nos eventos de 2023 lutam por justiça e anistia, o deputado opta por manifestações que, embora chamativas, não avançam pautas concretas como o impeachment de ministros do STF ou a defesa direta de Bolsonaro. Essa cobrança interna destaca a fragilidade da unidade no campo conservador.
Essa não é a primeira vez que Nikolas enfrenta fogo amigo dentro da própria base. Em ocasiões anteriores, como no apoio a Flávio Bolsonaro para as eleições de 2026, ele já minimizou críticas semelhantes, classificando-as como vindas de uma “parcelinha” da direita. O parlamentar argumenta que defende múltiplas pautas no Congresso e que as cobranças por exclusividade em torno de Bolsonaro são contraprodutivas, sinalizando uma evolução no bolsonarismo que pode incluir vozes mais jovens e diversificadas.
Por fim, o episódio ilustra as desafios do bolsonarismo em manter coesão em um cenário pós-Bolsonaro, onde personalidades como Nikolas buscam equilibrar lealdade ao ex-presidente com agendas próprias. Independentemente do desfecho do buzinaço, as críticas revelam fissuras que podem impactar a mobilização futura da direita brasileira, forçando líderes a recalibrar estratégias para evitar alienar sua base mais fiel.





