Chuvas em MG: ‘Teremos volume importante até o fim da semana’, alerta chefe da Defesa Civil

A chuva que cai sobre a Zona da Mata mineira desde o início da semana mudou a rotina de cidades como Juiz de Fora e Ubá. Ruas alagadas, bairros isolados, famílias fora de casa. Não é exagero dizer que os últimos dias foram de tensão permanente. E, segundo as autoridades, o cenário ainda exige atenção redobrada.
Nesta sexta-feira, 27, o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Paulo Rezende, alertou para a previsão de chuvas intensas até o fim da semana. Em entrevista coletiva, ele foi direto: os alertas estão sendo emitidos com antecedência, mas é fundamental que a população leve a sério cada aviso. Principalmente quem mora em áreas classificadas como de risco.
A fala dele chama atenção por um ponto específico. Rezende destacou que vivemos um período de extremos climáticos. O volume de água pode variar de bairro para bairro, de morro para morro, o que torna a situação imprevisível. Dá para avisar que vem chuva forte. O que não dá é cravar exatamente como ela vai atingir cada ponto da cidade.
Os números atualizados pela Polícia Civil de Minas Gerais confirmam a gravidade do momento. O total de mortes chegou a 68 na região, considerando Juiz de Fora e Ubá. Parte das vítimas foi resgatada pelas equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, que seguem mobilizadas nas buscas por cinco desaparecidos.
O trabalho no terreno é delicado. Cães farejadores, drones e aeronaves estão sendo usados para vasculhar áreas atingidas por deslizamentos e enxurradas. Em Ubá, bombeiros percorrem trechos do rio a pé, com todo cuidado necessário. Não há prazo definido para encerrar as operações. A orientação é clara: só finalizar quando toda a área for minuciosamente verificada.
Em meio à dor e à incerteza, há também organização. A Polícia Civil ampliou o número de peritos na região e montou um ponto específico para coleta de DNA de familiares de desaparecidos. A medida busca acelerar a identificação das vítimas e dar respostas às famílias o mais rápido possível.
O cenário levou o governo federal a agir. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou o reconhecimento do estado de calamidade pública em Juiz de Fora, decisão publicada no Diário Oficial da União. Segundo ele, houve mobilização imediata da Defesa Civil Nacional e envio de equipes de apoio, incluindo profissionais da área da saúde.
Já o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, anunciou medidas emergenciais. Entre elas, a antecipação do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada para famílias atingidas. Também foi informado o repasse de R$ 800 por pessoa desabrigada às prefeituras, recurso destinado à compra de colchões, alimentos e itens básicos.
O alerta meteorológico amplia a preocupação. O Instituto Nacional de Meteorologia emitiu aviso de grande perigo para acumulado de chuva em 607 cidades das regiões Sudeste, Sul e Nordeste, válido até a noite desta sexta-feira. É um sinal de que o problema não é isolado, mas parte de um padrão climático mais instável.
No meio de tudo isso, o pedido das autoridades é simples, ainda que difícil de cumprir: paciência e autoproteção. Evitar áreas interditadas, não retornar para imóveis em risco e acompanhar apenas informações oficiais. Em momentos assim, cada decisão individual faz diferença.
A reconstrução vai levar tempo. O restabelecimento de serviços básicos também. Mas, por ora, o foco é preservar vidas. E isso, como reforçaram os responsáveis pelas operações, depende tanto do poder público quanto da colaboração de cada morador.





