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Como assim? Goleiro Bruno cita envolvimento de facção na morte de Eliza Samudio

Mais de quinze anos depois de um dos casos mais comentados do noticiário policial brasileiro, o ex-goleiro Bruno Fernandes voltou a falar publicamente sobre o episódio que marcou sua trajetória para sempre: o desaparecimento e a morte de Eliza Samudio, em 2010. Em entrevista ao Geral Podcast, ele revisitou pontos delicados da história e trouxe novas declarações, afirmando que o ocorrido não envolveu apenas pessoas do seu círculo próximo, mas também uma facção criminosa. Sem citar nomes ou detalhes operacionais, disse que o contexto era mais amplo do que muitos imaginam.

A conversa, que circulou rapidamente nas redes sociais nos últimos dias, reacendeu debates antigos. Bruno afirmou que não foi o mandante do crime, mas reconheceu que foi omisso. Segundo ele, naquele período já não mantinha diálogo com Eliza e deixava decisões importantes nas mãos de um amigo próximo, conhecido como Macarrão.

“Chegou a um ponto que eu não tinha mais diálogo com a Eliza. Quem tomava conta das minhas coisas era o Macarrão. Ele que resolvia tudo pra mim”, declarou. A fala sugere que havia uma dinâmica de dependência e delegação de responsabilidades que, na avaliação dele, contribuiu para o desfecho trágico.

Durante a entrevista, Bruno relembrou o julgamento e um momento específico do interrogatório. Disse que o juiz perguntou diretamente se ele havia mandado cometer o crime. “Eu falei que não. Mas quando ele perguntou se eu sabia, eu disse que sabia”, contou. Para o ex-atleta, esse é o ponto central da sua responsabilidade: o conhecimento do que poderia acontecer e a decisão de não agir para impedir.

Ele foi condenado pela Justiça e cumpriu parte da pena. Desde então, tenta reconstruir a vida longe dos grandes clubes e do protagonismo esportivo que teve no Flamengo no fim dos anos 2000. Ainda assim, o passado continua presente. E, em suas palavras, é algo que ele não nega.

“Eu fui omisso. O meu erro foi ter sido omisso. Isso faz de mim inocente? Não. Eu nunca disse que sou inocente, mas também não sou o demônio da história”, afirmou. A declaração mostra uma tentativa de equilibrar reconhecimento de culpa com a rejeição de uma imagem totalmente desumanizada.

Um dos trechos que mais chamaram atenção foi quando mencionou o envolvimento de uma facção criminosa. Segundo Bruno, havia pessoas além do seu círculo imediato participando do contexto que levou ao crime. “Eu tive que segurar um problema muito grande, porque a situação envolve facção. Envolve pessoas que vão além do que vocês imaginam”, disse. Ele não entrou em detalhes e afirmou já ter prestado esclarecimentos a quem deveria.

No meio de tudo isso, há uma dimensão mais pessoal que o ex-goleiro diz carregar diariamente: a relação com o filho, Bruninho. O garoto, que hoje segue carreira no futebol de base, cresceu longe do pai. Bruno afirmou que espera o momento certo para conversar diretamente com ele sobre o que aconteceu.

“Espero que, no momento oportuno, ele me dê a oportunidade de falar o que eu tenho que falar. É ele que precisa saber. Só ele”, declarou.

A entrevista não muda o que foi decidido pela Justiça, mas revela como o caso ainda repercute na vida de quem esteve envolvido. Também mostra como episódios de grande repercussão pública deixam marcas duradouras, tanto na memória coletiva quanto nas histórias individuais.

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