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Cunhada de Alexandre de Moraes também prestou serviços ao Banco Master

Nos últimos dias, um assunto que começou discreto nos bastidores de Brasília acabou ganhando destaque no noticiário político e jurídico. Trata-se da participação da advogada Ana Claudia Consani de Moraes na elaboração do Código de Ética do Banco Master. A informação foi divulgada neste domingo (15) pelo portal Poder360 e rapidamente repercutiu entre parlamentares e especialistas da área jurídica.

Ana Claudia é casada com Leonardo de Moraes, irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Além disso, atua como consultora no escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, que também é esposa do magistrado. Esse conjunto de relações familiares acabou chamando atenção nas discussões públicas, principalmente nas redes sociais e nos corredores do Congresso.

Segundo informações divulgadas pelo próprio escritório Barci de Moraes em nota publicada no dia 9 de março de 2026, a elaboração do Código de Ética fez parte dos serviços jurídicos prestados ao Banco Master. A instituição financeira é ligada ao empresário Daniel Vorcaro, figura conhecida no setor empresarial brasileiro.

De acordo com o comunicado, o trabalho envolveu atividades relacionadas a integridade, governança e compliance. Na prática, esse tipo de serviço costuma incluir a criação de regras internas que orientam funcionários e dirigentes sobre conduta profissional, transparência e prevenção de conflitos de interesse.

A trajetória profissional de Ana Claudia nessa área também foi destacada. Ela participa de comissões ligadas a integridade e ética empresarial em diferentes instituições. Entre elas estão iniciativas dentro da Petrobras, da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo, além do Instituto Brasileiro de Direito e Ética Empresarial e do Instituto de Direito Administrativo Sancionador Brasileiro.

Mesmo com essa experiência na área, o caso ganhou novos capítulos quando parlamentares passaram a se manifestar. O deputado federal Kim Kataguiri afirmou ter protocolado, no dia 11 de março, um requerimento pedindo a convocação da advogada para prestar esclarecimentos na CPMI do INSS. Segundo ele, também foi solicitado que o ministro Alexandre de Moraes seja ouvido pela comissão.

Enquanto isso, outro ponto que gerou curiosidade diz respeito aos valores envolvidos no contrato. Informações divulgadas pela imprensa indicam que o escritório Barci de Moraes teria recebido mais de R$ 80 milhões do Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. O acordo previa inicialmente duração de 36 meses, mas acabou durando cerca de 22 meses.

Os honorários mensais, segundo os dados divulgados, giravam em torno de R$ 3,6 milhões. Os trabalhos teriam sido interrompidos após a primeira prisão de Daniel Vorcaro durante a operação conhecida como Compliance Zero, investigação que analisava práticas internas ligadas ao banco.

O escritório informou que, durante o período de prestação de serviços, foram realizadas 94 reuniões de trabalho, totalizando aproximadamente 267 horas dedicadas a atividades relacionadas ao cliente. Esse tipo de acompanhamento é relativamente comum em contratos de consultoria jurídica complexos, que costumam envolver análises internas e elaboração de políticas corporativas.

Mesmo assim, um detalhe específico chamou atenção após a divulgação do documento. O Código de Ética elaborado para o Banco Master apresenta alguns trechos considerados problemáticos por especialistas que analisaram o material. Em um ponto do texto, há uma orientação vista como equivocada sobre investimentos pessoais e conduta financeira.

Outro trecho mostra algo ainda mais curioso: uma marcação indicando ausência de conteúdo que deveria ter sido preenchido posteriormente. Esse tipo de anotação costuma aparecer em modelos de documentos que passam por várias revisões antes da versão final. No entanto, no caso específico, o trecho permaneceu no material datado de março de 2025.

Procurado para comentar essas observações, o escritório Barci de Moraes informou que mantém as explicações já apresentadas na nota divulgada no início do mês. Segundo o posicionamento oficial, os serviços foram prestados dentro do escopo contratado entre 2024 e 2025.

Enquanto o assunto segue sendo debatido, o caso ilustra como contratos jurídicos envolvendo grandes instituições financeiras e figuras públicas podem rapidamente se tornar tema de interesse nacional. Em Brasília, como se costuma dizer nos bastidores, detalhes que antes ficavam restritos aos documentos internos hoje ganham visibilidade quase imediata.


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