Dennis Carvalho expôs mágoa da Globo, antes de morrer

A televisão brasileira perdeu, no fim de fevereiro, um de seus nomes mais conhecidos nos bastidores. O diretor e ator Dennis Carvalho faleceu aos 78 anos no sábado, 28 de fevereiro de 2026. A notícia gerou repercussão entre colegas, artistas e fãs que acompanharam por décadas o trabalho de um profissional que ajudou a moldar a história das novelas no país.
Durante quase meio século, Dennis esteve ligado à TV Globo. Foram 47 anos de carreira dentro da emissora, participando de momentos importantes da dramaturgia nacional. Ao longo desse período, ele atuou como ator, diretor e também como um dos nomes responsáveis por conduzir grandes produções que marcaram gerações.
Nos últimos anos, porém, a relação com a emissora passou por mudanças. Em 2022, a Globo adotou uma nova política de contratação, priorizando acordos por obra específica em vez de contratos fixos de longa duração. A mudança afetou vários profissionais veteranos e acabou encerrando o vínculo permanente de Dennis com o canal.
Em entrevista à revista Veja, concedida algum tempo depois da decisão, o diretor falou com franqueza sobre como recebeu a notícia. Segundo ele, o momento foi difícil, não apenas pela mudança profissional, mas pela forma como tudo aconteceu.
Dennis contou que foi chamado para uma conversa com Ricardo Waddington, que na época comandava os Estúdios Globo. Durante a reunião, foi informado de que o contrato fixo não seria renovado e que, dali em diante, poderia ser convidado apenas para projetos específicos. Ao recordar o episódio, o diretor relatou que a situação o pegou de surpresa. Ele disse que respondeu de forma breve, aceitando a decisão naquele momento, mas que saiu da sala com uma sensação difícil de explicar.
Com o passar do tempo, Dennis comentou que a mudança deixou um sentimento de frustração. Para ele, a emissora poderia ter encontrado uma alternativa que mantivesse profissionais experientes por perto, preservando uma relação construída ao longo de décadas.
Em suas palavras, havia também um aspecto emocional nessa história. O diretor afirmou sentir falta do convívio diário nos estúdios, das conversas de corredor e da rotina de gravações. Afinal, boa parte de sua vida foi dedicada à televisão.
“Bate um vazio”, disse ele em determinado momento da entrevista, ao refletir sobre o afastamento. Apesar disso, Dennis nunca deixou de reconhecer a importância que a emissora teve em sua trajetória profissional. O velório ocorreu no domingo, 1º de março, em cerimônia reservada a familiares e amigos próximos. A despedida foi realizada no Crematório e Cemitério da Penitência, localizado na região do Caju, na zona portuária do Rio de Janeiro.
Nas redes sociais, diversos artistas prestaram homenagens e relembraram momentos de trabalho ao lado do diretor. Muitos destacaram o olhar atento que Dennis tinha para a atuação e a maneira direta com que conduzia os bastidores das produções. Mais do que dirigir novelas, Dennis Carvalho ajudou a formar talentos e a construir uma forma de fazer televisão que marcou época. Seu nome permanece ligado a capítulos importantes da dramaturgia brasileira.
No fim das contas, a trajetória do diretor é também um retrato das transformações da própria televisão. Entre mudanças de mercado, novas políticas de contratação e formatos diferentes de produção, a indústria segue evoluindo.
Mas para quem acompanhou os bastidores da TV brasileira nas últimas décadas, a lembrança de Dennis continuará viva — não apenas pelas obras que dirigiu, mas pelas histórias e relações que construiu ao longo de uma carreira que atravessou gerações.



