Escritório da mulher de Moraes detalha contrato com Master, mas nega atuação no STF

A divulgação de uma nota oficial nesta segunda-feira, 9 de março, colocou novamente em evidência um caso que já vinha chamando atenção nos bastidores do setor financeiro e jurídico brasileiro. O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, liderado pela advogada Viviane Barci de Moraes, publicou um esclarecimento detalhando os serviços prestados ao Banco Master antes da liquidação da instituição determinada pelo Banco Central.
O tema ganhou repercussão porque Viviane é esposa do ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF). Em momentos como esse, qualquer ligação entre o sistema financeiro, escritórios de advocacia e autoridades públicas acaba sendo observada com lupa por parte da opinião pública.
Segundo a nota divulgada pelo escritório, a contratação ocorreu entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Durante esse período, foi prestada uma consultoria jurídica ampla ao Banco Master, envolvendo uma equipe de 15 advogados especializados em diferentes áreas do direito. O comunicado afirma que o trabalho incluiu análise regulatória, orientação estratégica e acompanhamento de questões jurídicas relacionadas ao funcionamento da instituição.
O documento também faz questão de destacar um ponto específico: o escritório não atuou em nenhum processo no Supremo Tribunal Federal em nome do Banco Master. A observação foi incluída justamente para evitar interpretações equivocadas sobre eventual conflito de interesses, já que o marido da advogada é ministro da Corte.
Outro detalhe citado na nota é que o Banco Master não contou apenas com um único escritório. De acordo com o texto, outras três bancas jurídicas especializadas também foram contratadas para prestar serviços ao longo do período em que a instituição buscava estruturar suas operações e enfrentar desafios regulatórios.
Nos últimos dias, o caso ganhou ainda mais atenção por causa da situação do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ele está preso desde a última sexta-feira, 6 de março, na Penitenciária Federal de Brasília. As investigações apontam suspeitas de um grande esquema de fraudes financeiras que teria movimentado cifras bilionárias.
Embora a investigação esteja em andamento, o escritório de Viviane Barci de Moraes reforçou que sua atuação foi estritamente profissional e limitada às demandas jurídicas contratadas. O comunicado também procura separar o trabalho técnico da banca das apurações que atualmente envolvem a gestão do banco.
Vale lembrar que, em dezembro do ano passado, uma reportagem do jornal O Globo trouxe novos detalhes sobre o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório. Segundo a publicação, o acordo teria sido assinado em 2024 com duração prevista de três anos. Caso fosse cumprido integralmente, o valor total dos serviços poderia chegar a cerca de R$ 129 milhões.
Esse tipo de contrato não é incomum no universo corporativo, principalmente quando se trata de instituições financeiras que lidam com regulamentações complexas e precisam de assessoria jurídica constante. Ainda assim, números dessa magnitude naturalmente despertam curiosidade e debate.
Nos últimos anos, o sistema financeiro brasileiro tem passado por transformações importantes. O próprio Banco Central tem adotado medidas cada vez mais rígidas de fiscalização, algo que ficou evidente em episódios recentes envolvendo instituições de médio porte. Para quem acompanha o mercado, o caso do Banco Master se insere justamente nesse cenário de maior vigilância.
Enquanto as investigações continuam, o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados afirma que permanece à disposição para prestar qualquer esclarecimento necessário. Em meio ao debate público, o episódio mostra como decisões jurídicas, relações institucionais e o funcionamento do sistema financeiro acabam frequentemente se cruzando no noticiário nacional.





