Esposa de Moraes revela detalhes do contrato com o Master

Viviane Barci de Moraes, advogada e esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou recentemente detalhes sobre um contrato de consultoria jurídica firmado entre seu escritório e o Banco Master. A nota oficial emitida pelo Barci de Moraes Sociedade de Advogados surge em meio a uma crescente repercussão pública, motivada por investigações da Polícia Federal que revelaram o acordo no final de 2025. Essa divulgação visa esclarecer os contornos da parceria, enfatizando a legalidade e a natureza técnica dos serviços prestados.
De acordo com as informações reveladas, o escritório produziu um total de 36 pareceres jurídicos e opiniões legais para o Banco Master, cobrindo uma ampla gama de temas relevantes para o setor financeiro. Esses documentos abordaram questões como compliance, regulação bancária, assuntos trabalhistas, previdenciários e contratuais, essenciais para o funcionamento da instituição. A equipe envolvida no projeto era composta por advogados especializados, garantindo uma abordagem aprofundada e multidisciplinar.
O contrato, celebrado para um período de 36 meses, previa pagamentos mensais na ordem de R$ 3,6 milhões, o que poderia totalizar cerca de R$ 129 milhões ao longo de sua vigência. No entanto, os repasses foram interrompidos prematuramente devido à liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central. Como resultado, o escritório não recebeu o valor integral estipulado, limitando-se aos pagamentos efetuados até o momento da intervenção.
Durante o período de vigência do acordo, foram realizadas 94 reuniões de trabalho, incluindo encontros presenciais na sede do banco. Essa intensa interação reflete o compromisso do escritório em fornecer suporte contínuo e personalizado, adaptado às necessidades específicas da instituição financeira. A nota oficial destaca que todas as atividades foram conduzidas de forma ética e profissional, sem qualquer interferência em processos judiciais relacionados ao banco.
O Banco Master, liderado pelo empresário Daniel Vorcaro, enfrentou desafios regulatórios que culminaram em sua liquidação no ano passado. Documentos encontrados no celular de Vorcaro durante as investigações da PF trouxeram à tona o contrato com o escritório de Viviane Barci, alimentando especulações sobre possíveis conflitos de interesse devido à posição de seu marido no STF. Apesar disso, não há evidências concretas de irregularidades na prestação dos serviços.
A polêmica em torno do caso centra-se principalmente no valor elevado do contrato e na conexão familiar com um dos ministros mais proeminentes do Judiciário brasileiro. Críticos argumentam que tais arranjos podem levantar questionamentos sobre transparência no setor público, mesmo que o ministro Alexandre de Moraes não tenha atuado diretamente em ações envolvendo o banco. O escritório, por sua vez, reforça que a consultoria foi uma transação comercial legítima, comum no mercado de advocacia empresarial.
Essa divulgação representa um esforço para mitigar danos à imagem e promover a accountability em um contexto de escrutínio midiático intenso. À medida que o debate evolui, o episódio destaca a interseção entre direito, finanças e poder público no Brasil, convidando a uma reflexão mais ampla sobre normas éticas e regulatórias no ambiente jurídico.



