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Esposa de tenente-coronel era mãe e deixou uma filha de 7 anos

A morte de Gisele Alves Santana, uma soldado da Polícia Militar de São Paulo, aos 32 anos, chocou a sociedade e levantou questionamentos sobre violência doméstica e a integridade de investigações policiais. Encontrada com um tiro na cabeça em seu apartamento no bairro do Brás, no centro da capital paulista, na manhã de 18 de fevereiro de 2026, o caso inicialmente registrado como suicídio evoluiu para uma apuração de morte suspeita. Gisele, conhecida por sua dedicação à corporação, deixou uma filha de 7 anos de um relacionamento anterior, e sua partida prematura gerou comoção entre colegas, familiares e o público em geral.

Gisele era casada há cerca de dois anos com o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, também da PM. O relacionamento, segundo relatos próximos, era marcado por tensões crescentes, com indícios de controle excessivo por parte do marido. Ela trabalhava na polícia há anos, demonstrando profissionalismo e compromisso com a segurança pública, mas nos últimos meses, amigos notaram mudanças em seu comportamento, atribuídas a problemas conjugais. A arma utilizada no disparo pertencia ao tenente-coronel, o que adicionou camadas de complexidade ao inquérito.

De acordo com o depoimento do marido à Polícia Civil, o incidente ocorreu após uma discussão sobre divórcio. Ele alegou ter solicitado a separação, o que teria desencadeado uma reação emocional intensa em Gisele, levando-a a pegar sua arma e atirar contra si mesma enquanto ele tomava banho. Ao retornar ao quarto, ele a encontrou ferida e acionou o socorro, mas ela não resistiu aos ferimentos e faleceu no hospital. Essa versão, no entanto, foi imediatamente contestada por elementos da cena do crime e depoimentos contraditórios.

A família de Gisele, em especial sua mãe Marinalva Vieira, descreveu um padrão de abuso psicológico e controle no casamento. Dias antes da morte, Gisele ligou para os pais chorando, pedindo que o pai a buscasse, alegando não aguentar mais a pressão. Proibições impostas pelo marido, como o uso de batom, perfume ou salto alto, foram citadas como exemplos de um relacionamento opressivo. A mãe relatou vigilância constante e episódios de perseguição, reforçando a suspeita de feminicídio disfarçado de suicídio.

A investigação, conduzida pelo 8º Distrito Policial do Brás, sofreu uma reviravolta significativa. Inicialmente tratada como suicídio consumado, a ocorrência foi alterada para morte suspeita com “dúvida razoável”, devido a inconsistências nos relatos e à necessidade de perícias adicionais. A Polícia Civil continua com diligências em andamento, incluindo análise balística e depoimentos de testemunhas, enquanto o tenente-coronel não é considerado suspeito formal por enquanto, mas permanece sob escrutínio.

O enterro de Gisele ocorreu na manhã de 20 de fevereiro de 2026, no Cemitério Parque Colina dos Ipês, em Suzano, na Grande São Paulo. Centenas de pessoas, incluindo colegas da PM e familiares, compareceram para prestar homenagens, em um clima de luto e indignação. A cerimônia destacou o legado de Gisele como uma “guerreira” e “heroína do povo”, com mensagens de solidariedade ecoando nas redes sociais e na imprensa.

Esse caso expõe vulnerabilidades no sistema de proteção a vítimas de violência doméstica, especialmente quando envolvem figuras de autoridade como oficiais da polícia. A repercussão nacional pode impulsionar debates sobre protocolos internos na PM para lidar com denúncias de abuso, reforçando a importância de investigações imparciais e o combate ao feminicídio no Brasil, onde milhares de mulheres perdem a vida anualmente em contextos semelhantes.

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