Ex-assessor de Trump repercute notícia britânica sobre Moraes “estar em apuros”

A política brasileira voltou ao centro do debate internacional nos últimos dias. Desta vez, o motivo foi uma reportagem da revista britânica The Economist que colocou o Supremo Tribunal Federal sob os holofotes. O texto, publicado na quinta-feira (25), levanta questionamentos sobre a relação de ministros da Corte com integrantes da elite empresarial e política do país.
O assunto ganhou ainda mais força na terça-feira (3), quando Jason Miller, ex-estrategista do primeiro governo de Donald Trump, repercutiu a matéria em suas redes sociais. Ele destacou trechos que mencionam o ministro Alexandre de Moraes, sugerindo que o magistrado estaria enfrentando um momento delicado.
A reportagem afirma que surgiram informações de que a esposa de Moraes, que atua como advogada, teria firmado um contrato descrito como “incomumente vago e lucrativo” para representar o Banco Master. O banco pertence ao empresário Daniel Vorcaro, citado logo no início do texto como peça central do debate.
Miller, ao compartilhar a matéria, limitou-se a reproduzir trechos do conteúdo. Ainda assim, a publicação teve ampla repercussão. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro respondeu de forma direta, usando uma expressão comum no cenário político americano para classificar a situação. A troca elevou o tom das discussões nas redes.
O contexto não poderia ser mais sensível. Dias antes, manifestações com o lema “Acorda, Brasil” reuniram pessoas em diferentes cidades, com críticas direcionadas ao Judiciário e a decisões recentes da Corte. Em meio a esse ambiente já polarizado, a reportagem internacional funcionou como combustível adicional.
Segundo a The Economist, o Supremo brasileiro estaria “envolvido em um enorme escândalo”. A revista sustenta que alguns dos juízes mais poderosos do mundo mantêm relação próxima demais com setores influentes da economia e da política. Ao mesmo tempo, aponta que o tribunal, embora se apresente como defensor da democracia, tem adotado postura considerada rígida diante de críticas públicas.
O ministro Dias Toffoli aparece diversas vezes na matéria. Há menções ao resort Tayayá e a um relatório da Polícia Federal que teria identificado conversas entre juiz e parte envolvida em processos. O texto ressalta que tanto Toffoli quanto Moraes negam qualquer conflito de interesses e afirmam nunca ter julgado casos em que houvesse impedimento.
No caso de Moraes, a reportagem destaca que, antes de sua nomeação ao STF, o escritório de advocacia de sua esposa tinha 27 processos tramitando no STF e no STJ. Hoje, segundo a publicação, esse número teria subido para 152. Após a divulgação das informações, o ministro teria determinado investigação sobre possível vazamento de dados fiscais.
É importante frisar que as acusações citadas pela revista são apresentadas no campo das alegações e questionamentos. Não há decisão judicial que confirme irregularidades. Os ministros citados defendem que a adoção de um código de ética específico para a Corte seria desnecessária, sustentando que as normas atuais já seriam suficientes.
O episódio revela como o debate institucional brasileiro ultrapassou fronteiras. Em tempos de redes sociais e repercussão internacional quase instantânea, qualquer movimento ganha escala global. No fim das contas, o que está em jogo é a confiança nas instituições — um tema sensível, complexo e que exige apuração cuidadosa, equilíbrio e responsabilidade de todos os lados.





