Família de Preta Gil processou padre e pediu indenização no valor de R$ 370 mil

A defesa do padre Danilo César, da Paróquia São José, em Campina Grande, na Paraíba, trouxe novos desdobramentos ao processo movido pela família de Preta Gil. A ação judicial foi motivada por declarações feitas pelo religioso durante uma missa realizada no mesmo dia em que foi confirmada a morte da cantora, em julho de 2025, fato que repercutiu em todo o país.
A informação foi revelada pela coluna de Fábia Oliveira, que teve acesso aos documentos apresentados à Justiça. No processo, figuram como autores o cantor Gilberto Gil, a empresária Flora Gil, além dos irmãos e do filho da artista, Francisco Gil.
O caso teve início após o padre comentar, durante a celebração religiosa transmitida ao vivo pelo canal da paróquia no YouTube, aspectos relacionados à religião de matriz africana seguida por Preta Gil e parte de sua família. Trechos da fala circularam nas redes sociais e provocaram ampla reação pública, levando à retirada do vídeo da plataforma após a abertura de investigação.
Na ação por danos morais, os familiares sustentam que o sacerdote ultrapassou os limites da liberdade de expressão ao citar a fé da cantora em tom considerado desrespeitoso. Eles afirmam que a declaração atingiu não apenas a memória da artista, mas também a crença religiosa professada por ela e seus parentes, e pedem indenização no valor de R$ 370 mil.
Em contestação protocolada no dia 10 de fevereiro, Danilo César nega ter cometido qualquer irregularidade. Segundo a defesa, é fundamental analisar o contexto integral da homilia, destacando que a fala ocorreu dentro de um templo católico, direcionada exclusivamente aos fiéis presentes na celebração.
O religioso argumenta que sua manifestação teve caráter pastoral e pedagógico, com o objetivo de reforçar ensinamentos da doutrina católica. Ele sustenta que não houve intenção de ofender seguidores de outras crenças e que sua conduta está amparada pelo direito constitucional à liberdade religiosa.
Ainda nos documentos apresentados, o padre afirma que o trecho que ganhou repercussão foi recortado e divulgado fora de contexto por terceiros. De acordo com ele, a edição do conteúdo contribuiu para ampliar a controvérsia nas redes sociais, gerando interpretações que não refletiriam o teor completo da pregação.
A defesa também menciona que o uso do nome de Preta Gil teve finalidade ilustrativa dentro da linha de raciocínio adotada na missa, reconhecendo, porém, a sensibilidade do momento. O sacerdote acrescenta que não incentivou qualquer forma de discriminação ou desrespeito a outras religiões, limitando-se ao campo da reflexão teológica.
Paralelamente ao processo cível, Danilo César chegou a ser alvo de denúncia por intolerância religiosa. No entanto, firmou acordo com o Ministério Público Federal, o que afastou a possibilidade de responder criminalmente pelo episódio, encerrando essa etapa específica do caso.
Agora, caberá à Justiça analisar os argumentos apresentados pelas partes e decidir se houve excesso nas declarações do religioso ou se elas estão protegidas pelo exercício da liberdade de crença. O desfecho do processo é aguardado com expectativa, diante da relevância pública dos envolvidos e do debate sensível que envolve religião, liberdade de expressão e respeito às diferentes manifestações de fé.





