Flávio Bolsonaro comemora avanço contra Lula, mas prega cautela

O senador Flávio Bolsonaro atravessa um momento que seus aliados classificam como animador. Dois levantamentos recentes, divulgados pelos institutos AtlasIntel e Paraná Pesquisas, indicam um cenário competitivo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno. Em conversas reservadas, Flávio comemorou os números. Mas, em público, o discurso é outro: cautela.
Segundo a pesquisa da Atlas divulgada nesta quinta-feira, o senador aparece em empate técnico com Lula. Já o levantamento da Paraná Pesquisas aponta Flávio numericamente à frente. Para quem acompanha a política brasileira, trata-se de um movimento relevante. Não é comum ver o atual presidente em situação tão apertada em simulações desse tipo, ainda mais com a eleição marcada apenas para outubro.
Apesar do entusiasmo nos bastidores, Flávio tem repetido que pesquisas são “fotografias do momento”. A expressão virou quase um mantra. Ele lembra que o cenário eleitoral pode mudar bastante nos próximos meses, especialmente diante de um país que ainda discute inflação, emprego e os rumos da economia. Basta lembrar como o clima político oscilou nos últimos anos, muitas vezes em questão de semanas.
Dentro do Partido Liberal, partido ao qual o senador é filiado, avaliações internas já indicavam desempenho competitivo. As sondagens encomendadas pela legenda, segundo aliados, mostravam Flávio empatado ou levemente acima de Lula em determinados cenários. Os números agora divulgados ao público, na visão do grupo, apenas confirmariam essa tendência.
Mas há um ponto considerado ainda mais estratégico: a consolidação de Flávio como principal nome do campo conservador. Desde as últimas eleições, a direita brasileira vive um processo de reorganização. Lideranças buscam espaço, enquanto o eleitorado demonstra certo cansaço com disputas internas. Nesse contexto, aparecer como o candidato mais competitivo contra Lula é um ativo político poderoso.
O senador também trabalha para reduzir ruídos dentro da própria família. A recente tensão envolvendo Michelle Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro gerou especulações sobre divisões internas. Flávio, porém, tem procurado transmitir a imagem de unidade. Em política, a percepção muitas vezes pesa tanto quanto os fatos.
Na sexta-feira (27/2), em agenda em São Paulo, ele se reuniu com o governador Tarcísio de Freitas, filiado ao Republicanos. O encontro foi interpretado como gesto estratégico. Tarcísio é visto como um conservador de perfil mais moderado, capaz de dialogar com setores de centro. Para Flávio, aproximar-se desse eleitorado pode ser decisivo, especialmente entre aqueles que não desejam votar nem em Lula nem em um nome diretamente associado à polarização mais intensa.
O cenário, claro, está longe de definido. Outubro ainda parece distante, mas na política o tempo costuma passar rápido. O governo federal aposta em entregas econômicas e programas sociais para fortalecer a imagem de Lula. Já Flávio tenta ampliar seu alcance, suavizar resistências e apresentar-se como alternativa viável.
No fim das contas, o que se vê é um tabuleiro em movimento. As pesquisas recentes alimentam expectativas e movimentam estratégias, mas não encerram o jogo. Como o próprio senador tem dito, são retratos de agora. E, em um país acostumado a reviravoltas, a próxima fotografia pode trazer novas surpresas.





