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Flávio Bolsonaro diz que ninguém sabia quem era Tarcísio

O senador Flávio Bolsonaro voltou aos holofotes nesta quinta-feira (12) ao participar do programa Pânico, exibido pela Jovem Pan. Em uma conversa descontraída, mas politicamente carregada, ele relembrou como Tarcísio de Freitas foi escolhido para integrar o primeiro escalão do governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022.

Segundo Flávio, a escolha de Tarcísio para o Ministério da Infraestrutura teve como base critérios técnicos. “Ninguém sabia quem era o Tarcísio”, afirmou o senador, ao contar que alguém apresentou o currículo do então desconhecido engenheiro ao núcleo do governo. O fato de ter se formado no Instituto Militar de Engenharia pesou na decisão. “Disseram que ele era inteligente, preparado e que poderia ser um bom ministro”, relatou.

Naquele início de mandato, o país vivia um momento de expectativa. O novo governo prometia mudanças estruturais e buscava nomes que transmitissem competência técnica. Tarcísio, até então fora do radar da maioria dos eleitores, acabou se tornando uma das figuras mais elogiadas da equipe. Obras destravadas, concessões avançando e discursos focados em números ajudaram a consolidar sua imagem.

Durante a entrevista, Flávio também comentou sobre seu próprio papel no cenário eleitoral. Questionado sobre ter sido escolhido pelo pai como pré-candidato à Presidência da República pelo PL, ele disse que, inicialmente, pretendia disputar a reeleição ao Senado pelo Rio de Janeiro. Ainda assim, deixou claro que respeita a leitura política do ex-presidente.

“Acima de tudo eu respeito o feeling político do meu pai”, afirmou. Ele citou como exemplo a eleição de 2022, quando Tarcísio venceu a disputa pelo governo de São Paulo. Na visão do senador, o apoio direto de Jair Bolsonaro foi decisivo naquele processo. A avaliação reforça a ideia de que, dentro do grupo político, a estratégia eleitoral é pensada de forma integrada, considerando palanques regionais e projeções nacionais.

Flávio fez questão de destacar sua admiração pelo atual governador paulista. Disse que acompanha de perto o trabalho desenvolvido em São Paulo e que vê em Tarcísio uma peça-chave para os próximos passos da direita no país. “Para a estratégia nacional é preciso aumentar a diferença em relação ao que tivemos em 2022”, comentou, sugerindo que o grupo busca ampliar sua base de apoio.

O senador também ressaltou a importância de São Paulo no tabuleiro político. Maior colégio eleitoral do Brasil, o estado costuma influenciar diretamente o rumo das campanhas presidenciais. Ter um “palanque forte” ali, segundo ele, é fundamental para qualquer projeto nacional competitivo.

A entrevista ocorreu em meio a um cenário político ainda marcado por polarização e reorganização partidária. Nos bastidores de Brasília, já se fala abertamente sobre alianças, federações e possíveis candidaturas para os próximos anos. Enquanto isso, declarações como as de Flávio ajudam a desenhar o mapa das intenções.

Ao final, ficou a impressão de que o grupo político ligado a Jair Bolsonaro tenta manter coesão interna e preparar o terreno para novas disputas. Entre lembranças do passado recente e planos para o futuro, o discurso combina estratégia, lealdade familiar e cálculo eleitoral. Resta saber como o eleitorado reagirá quando as campanhas saírem do campo das entrevistas e ganharem as ruas novamente.
 

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