Flávio se manifesta após rebaixamento de escola de samba que homenageou Lula

O Carnaval do Rio terminou, mas a conversa continua. E não é só sobre alegorias ou fantasias luxuosas. Nesta quarta-feira (18), o senador Flávio Bolsonaro usou as redes sociais para comentar o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói, escola que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu desfile na Marquês de Sapucaí, no último domingo (15).
A publicação foi feita no Instagram e rapidamente ganhou repercussão. Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador afirmou que “quem ataca a família não merece aplauso”. Em outro trecho, escreveu que “Lula é sempre uma ideia ruim, seja para governar o País, seja para um samba-enredo”, acrescentando que o próximo “rebaixamento” seria o do presidente e do PT.
A declaração veio na esteira do resultado oficial: a Acadêmicos de Niterói terminou sua estreia no Grupo Especial na última colocação e retornará à Série Ouro em 2027. Para uma escola que chegou cheia de expectativa à elite do Carnaval carioca, o desfecho foi duro. A pontuação não foi suficiente para mantê-la entre as principais agremiações, e o impacto dentro da comunidade é inevitável.
O enredo apresentado, que celebrava a trajetória política e pessoal de Lula, trouxe elementos visuais e narrativos ligados à história do Partido dos Trabalhadores. Um dos pontos que geraram debate foi a representação de “neoconservadores” caracterizados como latas durante a apresentação. Setores da oposição criticaram a escolha, enquanto a escola esclareceu que a alegoria fazia parte do contexto artístico e simbólico do desfile.
Carnaval, vale lembrar, sempre foi território de metáforas. Desde os anos 1980, diversas escolas levaram para a avenida temas políticos, críticas sociais e homenagens a lideranças nacionais. A Sapucaí não é apenas palco de festa; é também espaço de narrativa, onde arte e opinião se misturam. Nem sempre isso passa sem reação.
O comentário de Flávio Bolsonaro reforça um clima que já vem sendo percebido nos bastidores de Brasília: embora as eleições presidenciais estejam marcadas apenas para 2026, o discurso de pré-campanha começa a ganhar corpo. O próprio senador é apontado como possível nome na disputa. Ao associar o resultado carnavalesco ao cenário eleitoral, ele transforma a nota dos jurados em argumento político.
Nas redes sociais, como costuma acontecer, as opiniões se dividiram. Há quem veja exagero em conectar um desfile artístico ao futuro das urnas. Outros consideram legítima a crítica, entendendo que a escola assumiu um posicionamento claro ao escolher o enredo.
Enquanto isso, na quadra da Acadêmicos de Niterói, o foco agora é reorganizar a casa. Rebaixamentos fazem parte da dinâmica do Carnaval. Escolas tradicionais já passaram pela Série Ouro e voltaram mais fortes. O desafio envolve manter a comunidade engajada, ajustar o planejamento financeiro e repensar estratégias para o retorno ao Grupo Especial.
No fim das contas, o episódio mostra como cultura e política continuam entrelaçadas no Brasil. Um desfile de pouco mais de uma hora foi suficiente para gerar dias de debate público. Talvez isso diga mais sobre o momento que o país vive do que sobre a pontuação em si.
O Carnaval acaba na Quarta-feira de Cinzas, mas as discussões seguem. Entre tamborins e timelines, fica claro que, no Brasil de hoje, quase tudo ganha dimensão política — até mesmo o brilho de uma escola de samba estreante na avenida.





