Notícias

Governo articula proteção a ministros do STF e prepara ofensiva contra oposição em CPI

O ambiente político em Brasília ganhou novos contornos nesta semana com a movimentação do Palácio do Planalto em torno da CPI do Crime Organizado. O governo federal articulou uma estratégia para tentar blindar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, de eventuais convocações no âmbito da comissão parlamentar. A iniciativa ocorre em meio a uma disputa direta com parlamentares da oposição, que vêm tentando ampliar o foco das investigações e incluir integrantes do Judiciário no debate.

Nesta segunda-feira (23), o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do PT no Senado, protocolaram 21 requerimentos direcionados a figuras de destaque da oposição. A movimentação foi interpretada como uma tentativa de ampliar o escopo da CPI e, ao mesmo tempo, criar um contraponto às investidas contra Moraes e Toffoli. O gesto também reforça o tom político que tem marcado os trabalhos da comissão desde sua instalação.

Entre os nomes citados nos requerimentos estão o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, os ex-ministros Paulo Guedes (Economia), João Roma (Cidadania) e Ronaldo Bento (Cidadania), além do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Também aparecem na lista os governadores Cláudio Castro (RJ) e Ibaneis Rocha (DF). O grupo governista busca ainda alcançar o entorno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por meio de pedido de convocação de Letícia Caetano dos Reis, ex-contadora do parlamentar.

A estratégia do governo é colocar em discussão uma série de nomes ligados à oposição para equilibrar o debate dentro da comissão e evitar que a pauta se concentre exclusivamente nos ministros do STF ou em integrantes do atual governo. A avaliação entre aliados é de que, ao ampliar o leque de convocações, seria possível diluir a pressão política e neutralizar movimentos considerados direcionados. Os requerimentos contra Moraes e Toffoli devem ser analisados nesta quarta-feira (24), conforme já havia sido antecipado na semana passada.

O controle da pauta é um dos principais trunfos do governo. O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), é filiado ao Partido dos Trabalhadores, o que garante ao grupo governista maior influência sobre a ordem de apreciação dos pedidos. A intenção é incluir os novos requerimentos apresentados nesta segunda na sessão de quarta-feira, ampliando o campo de discussões antes da votação dos pedidos que miram os ministros do Supremo.

Apesar da articulação do Planalto, a oposição demonstra confiança na possibilidade de aprovar os requerimentos contra Moraes e Toffoli. A comissão é composta por doze integrantes, sendo cinco alinhados à oposição. O voto decisivo poderia vir do senador independente Alessandro Vieira (MDB-SE), já que o presidente da CPI só vota em caso de empate. Esse cenário mantém o ambiente de incerteza e eleva a tensão política em torno da sessão prevista para os próximos dias.

Procurados para comentar a estratégia, Randolfe Rodrigues e a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, não se manifestaram. O líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (SE), também preferiu não comentar o assunto. Enquanto isso, a CPI do Crime Organizado segue como um dos principais palcos de disputa entre governo e oposição, refletindo o clima de polarização que marca o cenário político nacional e colocando em evidência os limites entre investigação parlamentar e embate institucional.

CONTINUAR LENDO →
Mostrar mais